Francisco Louçã

Francisco Louçã

Professor universitário. Ativista do Bloco de Esquerda.

Tem sentido considerar que o poeta não tinha “lugar de fala” acerca de amor lésbico, pois não era mulher e não o viveu? Ou que, ao louvar esse amor, dele se estava a apropriar? Pela minha parte, curvo-me perante Baudelaire, que mudou a poesia e se atreveu a desafiar o interdito.

Alguns dos mais poderosos novos barões do país estão a ocupar a praça pública com as suas exigências, de um modo que tem sido incomum nas últimas décadas.

Elisa Ferreira será a mais consistente das escolhas indicadas por Portugal para a Comissão Europeia, mas, mesmo assim, a sua recente entrevista passou despercebida. Pouca gente a quer ouvir. No entanto, o que disse é um alerta solene: os fundos europeus vão acabar.

A viragem à direita do Governo Costa, sobretudo a maioria absoluta que festejou em janeiro, tem sido particularmente visível no domínio da lei laboral.

Os sistemas a que chamamos democracias são construções paradoxais. Durante muito tempo, foram formas de coordenação da dominação, excluindo as mulheres, os pobres e os escravos.

Há, neste mundo do fim da história, quem levante uma força desmedida, o que aumenta a fragilidade do sistema global. São os gigantes que dominam a economia.

No entanto, há duas certezas. A primeira é que as batalhas se arrastam e que faltam tropas a ambos os lados. A decisão recente de Moscovo de elevar dos 40 para os 65 anos a idade máxima de recrutamento militar comprova a dificuldade. A segunda certeza é que este é o paraíso da indústria das armas.

Um líder improvável como Biden conseguiu o maior sucesso do século da política externa norte-americana, mas pode perder as próximas eleições e abrir as portas ao regresso de Trump.

Este impulso inflacionário é simplesmente a tradução do poder de empresas, e é por isso que alguns países decidiram taxar os lucros extraordinários obtidos por esta via. Em Portugal isso nunca acontecerá. Pelo amor da santa!

O PIB é uma agregação que ignora a estrutura da produção e a distorção da distribuição, desconhece a qualidade de vida ou a sua sustentabilidade, só registando transações.