Francisco Louçã

Francisco Louçã

Professor universitário. Ativista do Bloco de Esquerda.

Eco e Pasolini, e não os podemos ignorar, viviam uma memória que nos alerta ainda hoje para as tragédias passadas, que todas começaram por ser implausíveis.

Ao mesmo tempo que apresentam esta baixa do poder de compra como uma inevitabilidade, membros do Governo atacam-se florentinamente em público sobre a forma de reduzir os impostos a empresas.

O primeiro-ministro convocou as tropas para atenuar o efeito da polémica das pensões, mas não impediu que chocassem dois discursos: o de que corrigirá os valores e o de que é preciso mudar a lei.

Os liberais de antigamente eram assim, desabridos, snobes e violentos, pelo que o seu ressurgimento tem vindo a clarificar a política.

A novidade histórica é que esta disputa de hegemonia no Pacífico e global ocorre ao mesmo tempo que a integração entre as duas economias gera dependências mútuas irreparáveis. Se alguém pensa que uma guerra resolverá a atual disputa pela hegemonia, é melhor perceber que o seu resultado é incerto.

O que ficou evidente numa experiência de pagamento de um rendimento básico universal no Quénia é que a medida não procura criar emprego, mas antes oferece um donativo.

As emissões continuam a crescer, mesmo que a cada ano se tornem mais brutais os sinais da emergência climática; as energias renováveis não substituem as fósseis, limitando-se a responder a parte do consumo que se vai ampliando.

O funcionamento do Estado é o centro da disputa política e económica, dado que a captura de bens e serviços públicos se tornou o eldorado do início do século XXI.

O Governo faz o que tem a certeza de ser inútil e até o anuncia com orgulho, fingindo que toma uma atitude dura; a empresa [Endesa] deixa-nos adivinhar que a 1 de janeiro começa outra vida, e um e outra ficam depois à espera que nos esqueçamos do episódio.

Depois da declaração do encarregado de negócios em Doha, voltou a dizer-se que “em Portugal não há racismo estrutural”. O problema é que esta resposta é pouco crível.