Francisco Louçã

Francisco Louçã

Professor universitário. Ativista do Bloco de Esquerda.

Ninguém melhor contribui para esta lenta degradação do que o primeiro-ministro, que permite tudo na expectativa de que o caso seguinte apague o anterior e que essa técnica leve ao esquecimento.

A inteligência artificial e a automação dos processos de certificação, distribuição e controlo dos apoios sociais estão a assassinar a Segurança Social — e o crime já avançou muito caminho.

O processo de ocultação e de justificação narcísica pelos governantes não é uma particularidade da tirania que Brecht combatia. É a essência da ocupação do espaço público pelo discurso do poder.

O tambor das informações na sociedade deixou de ser a intermediação profissional pelas empresas de comunicação e passou a ser a comunicação pelas empresas de redes.

Deixou de ser preciso demonstrar como se gera esta bolha de favorecimento, os factos falam por si, mesmo que seja notório que o Governo tem um medo instintivo desta evidência e prefira a vaga de demissões.

O que a vertigem da viragem à direita em três países dos mais populosos do mundo deixa na sombra é como partidos do centro também se estão a deslocar para a direita.

Parece uma triste sina nacional, esta repetição tanto do desastre quanto das explicações sobre o falhanço dos remédios que estão disponíveis e foram garantidos com fanfarra e com inauguração marcada, os famosos túneis de escoamento.

Aceitar a legitimidade da secularização por referendo da morte assistida é uma desistência da Igreja por mero estratagema político e por encosto a quem pouco se interessa pela coerência.

Haverá um CEO, urgências fechadas e o PS continuará a desmantelar o Serviço Nacional de Saúde com juras de fidelidade e boa “gestão”.

O fantasma da inflação salarial tem sido agitado ad nauseam pelos governadores dos bancos centrais. Pouco se importam com o facto de os salários e pensões serem ajustados em menos de metade da inflação.