Francisco Louçã

Francisco Louçã

Professor universitário. Ativista do Bloco de Esquerda.

A desertificação de partes da Europa ou África, o degelo polar ou os fenómenos extremos, de que já temos sinais, são consequências do aumento da temperatura. Ou seja, pobreza e guerras.

O populismo é um conceito de significados múltiplos e contraditórios e a sua única consistência é a forma de atribuição: esclarece mais sobre quem designa do que sobre o seu objeto.

Se a eleição antecipada salvará Sánchez, é hoje impossível de prever. A questão que nos deixa, ganhando ou perdendo, é a mesma: pode-se governar sem políticas sociais estruturantes no emprego e na vida?

Cavaco Silva quis derrubar Santana Lopes, aliou-se a Sócrates e depois desaliou-se, atacou Marcelo Rebelo de Sousa, tudo sempre pela mesma razão, a sua tutela do PSD.

Vale a pena perguntar qual a razão por que o Governo nunca discutiu os PEC com a esquerda. Foi por saber que com a esquerda não havia negociação possível de uma estratégia tão cruel.

O abuso pela banca é a triste sina que nos está marcada na pele como um ferrete de servidão. Eles voltaram e, protegidos pela internacionalização do capital, fazem o que querem.

O pântano tornou-se a forma de governar da maioria absoluta, que nem sabe nem quer sair disto. António Costa, como já se percebeu, é o padrinho do populismo e está orgulhoso do seu papel.

O sistema de justiça está a ser transformado num perigo democrático e quem, dentro desse sistema, se revolta contra esta condenação não tem instrumentos para parar a torrente destrutiva.

A técnica de atirar números absurdos para cima de uma discussão tem sido exercitada com volúpia por vários Governos, o atual não é exceção.

A proposta de um sistema de controlo pessoalizada exige um novo mundo de bufaria e de medo. Esse novo mundo já chegou e não vamos ser poupados a esta indignidade.