Francisco Louçã

Francisco Louçã

Professor universitário. Ativista do Bloco de Esquerda.

O livro de Copérnico, “esse mesmo”, a ciência que resultava do pensamento livre baseado em factos, só foi autorizado pelo Vaticano cerca de 300 anos depois da sua publicação.

Está incrustada no Vaticano uma cultura que, para além da crença religiosa, é uma potência. Francisco quer mudar os pontos cardeais da sua casa. É o que lhe devemos.

O medo é uma força eleitoral. Vai ser usado mais intensamente e alimenta-se a si próprio numa espiral infindável. O que o centro não procura é o fim do medo: a segurança para a vida da gente.

Um crime perfeito não é aquele cuja ocultação vence os investigadores mais atentos; é antes o que é praticado à frente de toda a gente, com a conivência e até estímulo das autoridades e merecendo um amplo aplauso.

O Governo quer tornar-se notícia para não atuar. Ou melhor, para atuar como irrelevância, e esse é o caso da resposta à inflação.

Esta doutrina segundo a qual o Estado é dono, mas uns senhores fazem o que querem com a sua representação, por serem as vozes do mercado, é uma aberração.

Só uma política industrial ambiciosa pode criar emprego com salários qualificados e garantir o bem-estar social, ou criar o sistema de cuidados que são a parte da democracia na economia.

Os estatutos do BCE foram instituídos para que os que os aprovaram pudessem dizer coisas na certeza absoluta de que tal será indiferente. Protestam para impressionar a opinião pública.

O momento Lagarde é este: reduzir a procura por via do aumento dos juros e consolidar a recessão com a redução dos salários reais. A inflação é persistente.

Que é feito dessa promessa garbosa de um levantamento antifascista, de uma intransigência moralizante, de uma aliança progressista europeia e de um combate valente contra as forças das trevas?