António Lima

António Lima

Deputado do Bloco de Esquerda na Assembleia Regional dos Açores e Coordenador regional do Bloco/Açores

É mais do que evidente que muitas centenas de crianças ficaram para trás nos Açores num período absolutamente determinante do seu percurso escolar, como são os primeiros anos do ensino básico, e isso terá um impacto, ainda por determinar, mas muito significativo na sua vida.

O problema não está do lado do regulador. Poucas dúvidas restam de que o problema está do lado do contrato e da rendibilidade obscena que ele garante à Bencom. Talvez tenha sido por isso que o governo do PSD/CDS/PPM tanto se esforçou por escondê-lo.

As últimas semanas foram de enorme instabilidade, incerteza, conflito e perturbação no funcionamento do Serviço Regional de Saúde (SRS) [dos Açores] e principalmente no maior hospital da região, o HDES [Hospital do Divino Espírito Santo].

O governo regional e da república decidiram pela exploração de minérios no mar profundo dos Açores, sendo para isso apenas necessário conferir-lhe um qualquer selo de “sustentabilidade”. Uma decisão tomada à margem de qualquer debate público.

O orçamento [do governo regional dos Açores] falha em responder às consequências da pandemia, aos efeitos de uma guerra, à crise inflacionista e não tem em conta os alertas para o risco de recessão de todas as instituições internacionais.

O projeto de revisão constitucional do Bloco debruça-se sobre as autonomias regionais, embora haja quem queira apagar o Bloco da fotografia desse momento. Na verdade, apenas o Bloco e o PSD abordam a autonomia nos seus projetos.

A direita nos Açores tem companhias que dizem muito sobre quem ela é. Companhias que não são uma imposição, são uma clara opção de direção política do PSD, do CDS e do PPM. De Bolsonaro a Bolieiro há um Chega de distância.

O que apresenta a coligação que governa atualmente os Açores como grande medida de “apoio à natalidade”? Um cheque de 1500 euros a atribuir a apenas 27% da população por cada filho para ser consumido nas farmácias.

A falta de profissionais de saúde e a motivação para a realização de trabalho extraordinário não se resolve colocando os mesmos trabalhadores a fazer ainda mais trabalho.

Ou muito me engano ou esses 125 ME não chegarão à economia que deles precisa - as pequenas e médias empresas - mas chegará a grandes interesses opacos e anónimos - muitos deles externos à região, que são os fundos de investimento.