Adriano Campos

Adriano Campos

Sociólogo, dirigente do Bloco de Esquerda e ativista contra a precariedade.

No primeiro debate entre os candidatos pelo distrito do Porto, a maior surpresa veio do representante do Livre. Ricardo Sá Fernandes não hesitou em afirmar que "é preciso reconhecer algumas coisas a este governo".

Dos versos da Ana Bacalhau, que cantavam o hino de uma geração amargurada pela precariedade, ficava o lamento de já ser uma sorte poder estagiar. Ainda vai sendo tempo de a Sofia e os outros estagiários deste país darem a volta a isto.

Eleito deputado do PSD em 2009, António Leitão Amaro acumulou a função parlamentar em regime de exclusividade com a administração da Construtora do Caramulo. Uma das suas empresas realizou negócios com o Estado, apesar do Estatuto dos Deputados o proibir.

A descrença na União Europeia como espaço democrático aumenta até dentro do campo conservador. A possibilidade de uma alternativa a esse centro político blindado encontrou um muro no último domingo.

Contem-nos a história toda. O desequilíbrio do euro fez disparar a dívida privada na Grécia. A troika foi um instrumento para salvaguardar os bancos privados europeus da exposição à dívida grega. A austeridade destruiu a economia e causou a insustentabilidade da dívida. Contem tudo.

Foi o primeiro governo do PS liderado por José Sócrates, que criou os Contratos de Emprego-Inserção, que já se dirigia aos beneficiários de RSI e desempregados. O dumping social, criticado, e tão bem, por Isabel Moreira tem uma paternidade reconhecida.

Porfírio Dias, membro do secretariado nacional do PS, retomou o debate à esquerda sobre a proposta de complemento salarial. Mas de que complemento falamos, afinal?

Há muito que não se via uma campanha assim. O documento dos economistas permitiu ao PS marcar a agenda política nestas últimas semanas, embora longe do impacto esperado e propalado pelo grupo de António Costa.

O “Observador” é um caso singular. É mais do que um jornal, pois assume campanhas que o campo austeritário marinou durante anos, mas não chega a ser uma plataforma política.

Há coisas que nunca mudam. Já sabemos que 25 ministros e secretários de Estado passaram pelo BES. Uma vida inteira de promiscuidade entre a banca e a política.