Por estes dias, no porto de Setúbal, não se decide apenas a vida de cerca de 90 estivadores, condenados há décadas ao trabalho à jorna, sem direitos, sem proteção, sem vínculo.
É impossível não notar. Pegado à ponte da Arrábida – um monumento nacional que se tornou símbolo do Porto – há um estaleiro instalado e um monstro a nascer.
É uma frase feita dizer-se que em Portugal temos excelentes leis mas péssimas práticas. Como todas as frases feitas, também esta tem uma parte de mentira.
O Ministro do Trabalho lançou a confusão com as declarações que fez na quarta-feira, anunciando uma medida que não está no Orçamento e que não tem apoio do Parlamento. Vale a pena clarificar.
Sei que não fará capas de jornais, que diz respeito a um grupo relativamente pequeno de pessoas (5 mil) mas é, para mim, das coisas mais importantes que conseguimos neste Orçamento: reconhecer o desgaste rápido dos trabalhadores das pedreiras.
Chalana denunciou, num artigo no Público, a pobreza existente na cidade e a inação de Rui Moreira. Desde aí, sabe-se, não tem deixado de sentir a prepotência e ameaças veladas.
Com o agravamento destas disparidades escandalosas, a definição de uma proporção máxima entre salários ganhou ainda mais adeptos. O Parlamento português vai pronunciar-se, no próximo dia 28.