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A zona euro a caminho do inferno de Dante

Wolfgang Münchau, coeditor do Financial Times e colunista da revista alemã Der Spiegel, afirma que a política de Merkel leva a União Europeia “à maior bancarrota estatal da história universal”.
Wolfgang Münchau: política de Merkel é ruinosa para a Alemanha

Wolfgang Münchau, coeditor do Financial Times de Londres e colunista da revista alemã Der Spiegel em Hamburgo, não economiza palavras para advertir para os perigos imediatos que ameaçam a Zona Euro. Se a cimeira da UE da próxima quinta-feira não adotar uma enorme viragem política, o rumo atual aponta “diretamente para a maior bancarrota estatal da história universal”.

O colunista só vê duas medidas para evitar o desastre: “uma adoção da dívida por parte do BCE; e uma mutualização parcial das dívidas através de eurobonds e uma união bancária.”

A política de Merkel, diz Münchau, “leva-nos ao Inferno de Dante: 'Quem aqui entrar, abandone toda a esperança'”.

Política de Merkel é ruinosa

O colunista considera “óbvia, plausível e falsa” a conservadora narrativa dominante da eurocrise, segundo a qual a crise foi causada pela falta de disciplina orçamentária, a solução é poupar; o mal de base da Europa meridional é a falta de reformas; e não é necessária uma união fiscal ou bancária.

Para o editor do FT, “a política de ganhar tempo praticada por Angela Merkel é ainda mais ruinosa. A cada mês que passa, as cargas suportadas pela Alemanha no sistema são mais pesadas. Um exemplo dessa loucura é dado pela explosão da dívida grega. Quando a crise começou, o peso da dívida da Grécia era de apenas 100%. Depois de vários anos de poupança e de austeridade, e apesar da redução de parte da dívida, o seu coeficiente devedor é agora mais elevado. Se agora Espanha e Itália têm igualmente de abrigar-se sob o guarda-chuva, isso significa que a Alemanha e a França, em conjunto, terão de garantir mais de 4 biliões de euros de dívidas. Isso é mais que o produto anual dos dois países juntos”.

Münchau sublinha que uma explosão da zona euro seria ruinosa “precisamente para a Alemanha”. O mercado interno europeu não sobreviveria a um regresso aos câmbios flexíveis, diz, e a indústria exportadora alemã não conseguiria recuperar-se do golpe. O colapso financeiro também ameaçaria Berlim. “O Bundesbank tem, frente ao BCE, dívida ativa de um montante próximo dos 700 mil milhões de euros (…). Essa dívida sobe mês atrás de mês. Se a explosão chegasse no final do ano, as perdas totais poderiam ser de uma magnitude situada entre 1 e 2 biliões de euros, incluindo a cobertura do risco dos guarda-chuvas protetores e do resgate dos bancos alemães que iriam à falência. Isso significaria entre 40% e 80% do nosso PIB.”

Crítica ao SPD

O colunista critica também o opositor Partido Social-Democrata (SPD) por não se contrapor a esta narrativa conservadora, da mesma forma que há muitos anos, na República de Weimar, os social-democratas toleraram a política económica deflacionista do conservador social-cristão Heinrich Brüning. E, àqueles que dizem que “é melhor um final espantoso que um espanto sem final” recorda que na Alemanha dos anos 30 a depressão “terminou com um espanto”.

Artigo de Münchau na Der Spiegel

O mesmo artigo traduzido pela Sinpermiso

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