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ZERO quer regulamento para reduzir poluição do ar causada por navios no Mediterrâneo

ZERO propõe ao Governo inicie uma articulação com França e Espanha, de forma a avançar com a classificação da zona costeira do Canal da Mancha ao Mediterrâneo como área de controlo de emissões.
Imagem de Rudy e Peter Skitterians, Pixabay.

Em comunicado, a ZERO assinala que esta segunda-feira se realizará em Madrid a Conferência Internacional “Reduzir a poluição do ar causada por navios no Mar Mediterrâneo” que colocará no centro do debate a criação de uma Área de Controlo de Emissões.

Em causa está, de acordo com a organização ambientalista, “resolver um problema que representa até 40% da poluição atmosférica das cidades costeiras do Mar Mediterrâneo, onde vivem 325 milhões de pessoas”.

“A poluição dos navios representa uma ameaça significativa para a saúde humana, o ambiente e o clima. A principal razão para essa poluição é a má regulamentação que se aplica ao setor e o uso de combustíveis com elevado teor de enxofre que não são permitidos no solo. Este é um problema que pode ser significativamente reduzido através do estabelecimento de uma Área de Controlo de Emissões no Mar Mediterrâneo (ECA em inglês), um regulamento que foi aplicado desde 2015 no Norte da Europa e que está sendo reivindicado pelas organizações ambientais que promovem a conferência”, escreve a ZERO.

“Se os governos cooperarem, a ECA poderá entrar em vigor no Mediterrâneo até 2022”, assinala, sublinhando que, “para as organizações ambientalistas, não há desculpas para adiá-lo e prolongar os prejuízos da população, bem como os enormes custos em saúde, para os ecossistemas e clima”.

Em 2018, a organização ambientalista quantificou o número de navios que passam na Zona Económica Exclusiva (ZEE) de Portugal Continental no trajeto Norte – Mediterrâneo ou vice-versa: “Estes navios totalizam aproximadamente uma emissão de 31 mil toneladas de dióxido de enxofre por ano, representando um acréscimo de 90% às emissões deste poluente em Portugal Continental no ano de 2016 e 85 mil toneladas de óxidos de azoto, representando um acréscimo de 58% das emissões deste poluente em relação ao total do país”, aponta.

A ZERO assinala a sua “preocupação crescente” face à “presença de grandes navios de cruzeiros nomeadamente em Lisboa, que causam elevadas emissões, principalmente de óxidos de azoto e partículas, muitas delas de maior toxicidade por serem ultrafinas, tendo vários estudos apontado para situações grave noutros portos”.

Mediante o processo de classificação do Mar Mediterrâneo como Área de Controlo de Emissões, os ambientalistas propõem que o Governo português apoie este processo e “inicie uma articulação com França e Espanha, de forma a implementar até 2022, em simultâneo com o Mar Mediterrâneo, uma área com as mesmas restrições que ligue se estenda desde a zona já em vigor no Mar Báltico e Mar do Norte, incluindo o Canal da Mancha ao Mediterrâneo”.

A ZERO estima que “essas reduções no que respeita à costa portuguesa em relação aos níveis atuais seriam da ordem dos 93% no caso do enxofre, e de 23,5% no caso dos óxidos de azoto, com reflexos claros na melhoria da qualidade do ar em Portugal Continental”.

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