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Zero desafia a colar nos carros a frase “eu sou obrigado a abastecer com óleo de palma”

A Associação Ambientalista denuncia que a Galp se mantém irredutível na produção de biodiesel com recurso ao óleo de palma, uma matéria-prima que considera “insustentável”. Para pressionar, está a apelar que os consumidores mostrem o seu descontentamento através de um autocolante colado nas viaturas.

Portugal importa 87% do óleo de palma de mercados como a Indonésia e a Malásia. Nestes países, a produção desta substância é “um importante impulsionador da destruição das florestas tropicais e a vida selvagem associada”, considera a Associação Ambientalista Zero que aponta “consequências ao nível da desflorestação e da drenagem de turfeiras no sudeste da Ásia, para além de estar a pressionar várias espécies para a extinção, como o orangotango ou o elefante pigmeu”.

Os ambientalistas consideram, por isso, a produção de óleo de palma insustentável e denunciam que o país, “pelo segundo ano consecutivo” mantenha o consumo em “níveis record” em vez de o tentar reduzir.

O principal culpado é fácil de identificar: é a refinaria da GALP em Sines que o utiliza para produzir o biodiesel HVO (Hidrogenated Vegetable Oil), incorporado no gasóleo rodoviário, ironicamente de forma a cumprir as metas de redução de emissões de CO2 previstas na Diretiva das Energias Renováveis.

A Zero quer que “o Governo e os diferentes partidos se comprometam com o definido nos seus programas eleitorais relativamente à utilização de biocombustíveis sustentáveis do ponto de vista ambiental, definindo um calendário apropriado, com o abandono até ao final de 2020 da utilização do óleo de palma para a produção de biocombustíveis e como elemento incorporado no gasóleo comercializado em Portugal”.

Os ambientalistas também dirigem as suas críticas à indústria petrolífera, “e em especial a GALP como produtora de biodiesel com recurso ao óleo de palma”, pretendendo que esta “assuma um papel pioneiro e ambientalmente responsável junto dos consumidores, substituindo o óleo de palma por outra matéria-prima ambientalmente mais sustentável”.

Atualmente quem for abastecer a sua viatura de gasóleo tem muito poucas alternativas: “a maior parte do gasóleo presente nos postos de abastecimento, independentemente da marca, é fornecido pelas refinarias da GALP, é assim inevitável que os consumidores que tenham veículos a gasóleo não tenham outra possibilidade, que serem coniventes com o uso insustentável de óleo de palma como biocombustível”.

Para além da falta de alternativas, também há falta de informação: o consumidor não tem acesso a que tipo de biocombustível está a ser incorporado no que abastece, nem “quais as matérias-primas utilizadas e a sua origem, de forma a permitir uma escolha mais consciente”.

Foram estas as razões apresentadas pelos ambientalistas para a campanha que agora começa e que pretende que os condutores colem um autocolante a dizer “Eu sou obrigado a abastecer com óleo de palma”. Este está disponível no site da Zero e nas suas redes sociais. De forma a fazer circular a mensagem, apela-se ainda a que se tirem fotos do carro, se partilhem com a hastag #GasoleoSemOleoDePalma.

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