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Zero alerta para uso excessivo de recursos naturais em Portugal

A associação apresentou dados atualizados relativos à pegada ecológica de Portugal: seriam precisos dois planetas se toda a gente no mundo tivesse o consumo médio nacional. Preferência por mobilidade sustentável e redução do consumo de produtos animais são formas de reduzir o problema.
Blue Marble, 2007. Foto NASA/Wikimedia Commons.
Blue Marble, 2007. Foto NASA/Wikimedia Commons.

A associação ambientalista Zero alertou este sábado para o uso excessivo de recursos naturais em Portugal. Um dia após as grandes mobilizações da greve climática estudantil, a associação avançou este sábado alguns dados atualizados relativos à pegada ecológica e à dívida ambiental do país.

A pegada ecológica, que mede "o uso de terra cultivada, florestas, pastagens e áreas de pesca para o fornecimento de recursos e absorção de resíduos", tem vindo a aumentar em Portugal, alerta a associação. E continua a superar a biocapacidade, ou seja a "quantidade de área biologicamente produtiva disponível para regenerar" os recursos utilizados. "Se cada pessoa no Planeta vivesse como uma pessoa média portuguesa", afirma-se, "a humanidade exigiria mais de dois planetas para sustentar as suas necessidades". Essa situação implicaria que a área para "regenerar recursos e absorver resíduos a nível mundial esgotar-se-ia no dia 26 de maio (em 2018 foi a 16 de junho). A partir daí seria necessário começar a usar recursos naturais que só deveriam ser utilizados a partir de 1 de janeiro de 2020".

Portugal é há muitos anos deficitário "na sua capacidade para fornecer os recursos naturais necessários às atividades desenvolvidas", pelo que a "dívida ambiental portuguesa tem vindo a aumentar", afirma a Zero .

Para inverter esta dívida ambiental, a associação considera prioritárias ações nas áreas que mais contribuem para ela, o consumo de alimentos (que representa 32% da pegada global do país) e a mobilidade (18%). Entre as soluções que passam pelas práticas individuais de cada um, a Zero sugere reduzir o consumo de proteína animal e reforçar o de vegetais e frutas, na medida em que "cada português consome cerca de 3 vezes a proteína animal que é preconizada na roda dos alimentos, metade dos vegetais, um quarto das leguminosas e dois terços das frutas". Sugere também que se prefira meios sustentáveis de mobilidade, com mais uso de transportes públicos, para o que "as novas condições dos passes sociais podem ser um bom incentivo", de bicicletas, trotinetes, mais deslocações a pé, bem como reduzir ou mesmo eliminar as viagens de avião.

Sugere-se ainda consumir de uma forma mais circular, passando de um paradigma de "usar e deitar fora" para outro de "ter menos, mas de melhor qualidade" com um enfoque na "redução, reutilização, troca, compra em segunda mão e reparação". A Zero disponibiliza online uma calculadora de pegada ecológica que dá uma noção aproximada da pegada que cada um deixa no ambiente.

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