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Zemmour condenado pela terceira vez por discurso de ódio

O antigo comentador televisivo e atual candidato da extrema-direita às presidenciais francesas vai ter de pagar uma multa por ter chamado “ladrões”, “assassinos” e “violadores” aos menores desacompanhados que chegam ao país.
Foto publicada na página de Eric Zemmour no Facebook.

A condenação por “incitamento ao ódio e à violência” foi conhecida esta segunda-feira e diz respeito às declarações de Eric Zemmour quando comentava a atualidade no canal CNews, função que lhe permitiu espalhar a sua agenda racista e anti-imigração durante anos e lhe garantiu o bilhete de entrada na corrida presidencial. O antigo jornalista falava em novembro de 2020 do tema dos menores desacompanhados que chegam a França, chamando-lhes “ladrões”, “assassinos” e “violadores”. Por essas “injúrias públicas dirigidas a um grupo de pessoas devido à sua origem”, o tribunal condenou-o ao pagamento de uma multa de dez mil euros e o diretor de programas do canal,  Jean-Christophe Thiery, a três mil euros. Ambos terão também de pagar dez mil euros a associações de defesa dos direitos humanos. Zemmour anunciou que vai recorrer do que considera “uma condenação ideológica e estúpida”.

Esta foi a terceira condenação judicial do ex-comentador pelas suas declarações abertamente racistas. Em 2011 também teve de pagar dez mil euros por dizer na televisão que “a maioria dos traficantes de droga são negros ou árabes” e em 2018 foi condenado a pagar três mil euros por fazer comentários sobre uma suposta “invasão” muçulmana de França, um assunto que está no centro do seu atual discurso eleitoral.

Zemmour tem ainda outros julgamentos na agenda: para esta semana estava previsto o julgamento de recurso em que é acusado de “contestação de crime contra a humanidade” por ter dito em outubro de 2019 no seu programa na CNews que o marechal Pétain “salvou” os judeus franceses, quando na verdade colaborou com os nazis no seu plano de extermínio dos judeus, mandando prender e deportar tanto franceses como estrangeiros. E em 2023 será julgado por difamações feitas em 2019 quando comentava os movimentos feministas e LGBT, acusando-os de terem "escravizado o aparelho de estado à sua ideologia e, portanto, aos seus caprichos".

Na corrida presidencial, depois de as sondagens lhe atribuírem intenções de voto no final do ano passado que lhe permitiam sonhar com a presença na segunda volta, ultrapassando Marine Le Pen, Zemmour foi perdendo gás após o anúncio da candidatura e as últimas sondagens dão-lhe intenções de voto a rondar os 10%. Uma outra sondagem, publicada esta segunda-feira na France Info e no Le Monde, diz que 62% dos franceses o consideram um perigo para a democracia, bem acima da líder da antiga Frente Nacional (50%), do atual presidente Macron (31%) ou do candidato da França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon (29%)

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