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Votar Bloco combate o privilégio de quem tudo pode e faz justiça a quem de tudo precisa

No comício de Coimbra, Catarina Martins falou de justiça na economia. Numa campanha em que a direita falou de impostos, julgando que o aumento de impostos de Vítor Gaspar estava esquecido, o Bloco defende ser preciso “cobrar a dívida enorme” para com o país dos interesses poderosos que “não têm pago quase nada”.
Foto de Paula Nunes

Catarina Martins começou com uma “nota de preocupação e solidariedade” por causa da passagem do furacão Lorenzo nos Açores e apelou para que “assumamos todos a solidariedade necessária na reconstrução de tudo o que tem de ser reconstruido”.

Depois, a coordenadora do Bloco lembrou a visita feita ao Hospital dos Covões, onde há centros de excelência que colocam o melhor ao serviço dos utentes para dizer que “quando olhamos para o que há de tão bom vemos também o que há a fazer para que todos os serviços sejam assim” com a melhor resposta para toda a gente e lembrou igualmente que em Coimbra, a seis de janeiro de 2018, se lançou o livro “Salvar o SNS”, de António Arnaut e João Semedo, pelo que na mesma cidade o Bloco fez questão de repetir o “compromisso máximo pelo Serviço Nacional de Saúde”, “o nosso maior compromisso”.

Sobre “a necessidade absoluta de ultrapassar a ordem injusta”, Catarina Martins voltou à notícia de que as maiores empresas do país “que fazem de conta que têm a sede noutro país qualquer” fugiram

com o seu dinheiro e não pagaram 630 milhões de euros de impostos, o que é quase cinco vezes mais do que o aumento extraordinário de pensões que custou 134 milhões, “por isso queremos falar sim de justiça na economia”.

A coordenadora do Bloco falou então de impostos, assunto que a direita utilizou muito na campanha “julgando que toda a gente se tinha esquecido do enorme aumento de impostos de Vítor Gaspar ou de como Paulo Núncio perdoou os crimes fiscais a Ricardo Salgado” mas isto não foi esquecido, julga.

Por sua vez, nos últimos quatros anos houve diferenças, “protegemos salários e pensões” acabando com a sobretaxa, com novos escalões do IRS que o tornaram “mais justo” e com o aumento do mínimo de existência “que protegeu quem está mais vulnerável”, aliviando “mais quem merecia”. Isto para além de baixar o IVA da restauração e das atividades culturais.

Mas há “caminho por fazer”, o “da luta pela justiça nos impostos e no esforço que é pedido a este país”. Há um “país de gente esforçada que trabalha tanto e não deixa de contribuir” para que haja os serviços essenciais, que “cumpre a sua parte”. O problema é que “não estamos todos a fazer o mesmo esforço, há quem tenha feito um esforço tão grande e quem ganhe tanto e nunca pague o que devia pagar”, as empresas com sede fora mas que ganham aqui, as grandes fortunas escondidas nos paraísos fiscais, os fundos imobiliários “que negam o direito à habitação e ainda têm o privilégio fiscal”, as multinacionais que não pagam aqui impostos, os “privilegiados com tanta riqueza que fogem de pagar para a construção deste país que é de todos”.

Por isso, Catarina Martins apelou ao “país esforçado” para “que não se resigne à injustiça em que são sempre uns a pagar tudo enquanto quem tem tudo não paga nada”. Acreditando nesse país, a coordenadora do Bloco considera que podemos construir justiça na economia, o que passa, por exemplo, baixar o IVA de energia, do gás, que todos pagam, ter mais escalões “para ser mais justo o imposto pago pelo salário e pela pensão”. Para o fazer é preciso ter “a coragem de ir cobrar a quem não tem pago quase nada o contributo justo como todas as outras pessoas pagam”, “cobrar a “dívida enorme” que têm para com o país para podermos “aliviar quem trabalha tanto e se esforça tanto”.

Assim, o voto no Bloco é o “que serve quem faz tudo por este país” e de “quem sabe que é preciso acabar com o privilégios” e quer justiça fiscal, redistribuição, o voto que combate fraude e evasão fiscal, o voto que combate o privilégio de quem tudo pode para fazer justiça a quem tudo precisa.

A dirigente do Bloco considera mesmo que “só o voto pode ter a força contra os grandes interesses económicos que esperam que fique tudo na mesma”. E o partido que faz acontecer justiça na economia é o Bloco.

O que teria sido feito se tivesse sido posto em prática apenas o programa do PS?

Marisa Matias começou por afirmar que “ao votar no dia seis de outubro as pessoas estarão a avaliar o trabalho feito” pelo Bloco ao longo da legislatura e “a definir o que vai ser o futuro da governação do país”.

Sobre o que foi feito a eurodeputada reviu algumas das situações em que a posição do Bloco prevaleceu no âmbito das “diferenças e acordos com o Partido Socialista”. Por exemplo, na integração de precários, no descongelamento e aumento extraordinário de pensões, na atribuição da tarifa social automática da energia para 800 mil famílias.

Mas outros casos houve em que “ficámos a meio do caminho”. Marisa Matias salientou os exemplo do salário mínimo que subiu mas “é ainda muito baixo”, do fim da dupla penalização das longas carreiras contributivas mas que ainda assim as pensões são baixas.

Depois, trouxe os casos em que “não prevaleceu a posição do Bloco” como no caso da banca em que “os contribuintes continuaram a pagar os devaneios”, da lei laboral e medidas da troika não revertidas e do investimento na saúde.

Depois de passar em revista estes exemplos, vieram as perguntas. A eurodeputada questionou “quem merece levar a sua proposta avante”, se o Bloco merece uma “força menor, igual ou maior no dia seis de outubro” e o que teria sido feito se tivesse sido posto em prática apenas o programa do PS. E, para Marisa Matias, responder a estas perguntas passa por pensar, afirma, quando houve disputa “quem tinha razão” sendo a resposta o Bloco de Esquerda.

O Bloco negociou exaustivamente pelo bem das pessoas

O mandatário distrital por Coimbra, Bruno Gonçalves, depois de manifestar o seu orgulho em ser mandatário e a confiança na lista de mulheres e homens comprometidos pelo distrito de Coimbra,a valeu-se de um provérbio cigano para afirmar o que o Bloco fez ao longo dos últimos quatro anos: o pássaro conhece-se pelas penas, o homem e mulher por cumprir a palavra.

E, para Bruno Gonçalves, o Bloco honrou os seus compromissos porque “negociou exaustivamente pelo bem das pessoas”, esclareceu utilizando vários dos exemplos exemplo que Marisa Matias já realçara. Para disso, é um partido que está nas ruas, que ouve, que apresenta propostas, que “não apregoa azeite e vende vinagre” e “não se fica pelas conversas de café e discursos inflamados”.

O mandatário de Coimbra falou ainda dos problemas de habitação. Tendo crescido num gueto, Bruno Gonçalves sabe o que é “ser vetado” na sua cidadania e participação social e política. Falou ainda na luta contra o racismo, nomeadamente o “racismo institucional”, considerando, por exemplo, que “o Ministério Público relativiza todo o ódio social que é lançado sobre negros, sobre ciganos e outros grupos”, vincando que este órgão “representa todos, não pode representar apenas alguns”.

No país que queremos ninguém fica para trás

A candidata por Coimbra Mariana Garrido veio falar do “país com que nós sonhamos” e dedicou a primeira parte da sua intervenção ao tema do ensino superior. Pegando no facto de estar em Coimbra, “a cidade que se chama dos estudantes onde se lutou pela democracia e se resistiu à ditadura”, considerou que “hoje somos livres mas não podemos dizer ainda que somos iguais”. Isto porque “estamos num dos países da União Europeia em que é mais caro para os estudantes e para as famílias estudar no Ensino Superior”. Um país em que “a propina é alta, a ação social é escassa e onde só 12% dos estudantes deslocados conseguem aceder a alojamento universitário”. Considerou ainda a gestão democrática das universidades “uma fachada”, replicando-se as “ameaças e tendências de privatização” e lembrou as situações de precariedade de docentes e investigadores.

Pelo contrário, no país que o Bloco quer, “ninguém fica para trás”. Prova disso, pensa a candidata é o “caminho histórico” iniciado de redução da propina.

Insistindo, Mariana Garrido afirmou que “no país que nós queremos os jovens não nascem com o futuro condenado, nem endividados, nem excluídos”, as “universidades não podem ser uma espécie de fundação ou PPP”, “um bolseiro não pode ter deveres de trabalhador sem ter direitos de trabalhador”.

Na segunda parte da sua intervenção, a candidata falou sobre a crise climática. A greve climática que em Coimbra aconteceu naquela mesma praça, pretendia “resgatar o direito ao futuro e salvar o planeta”. Portugal, afirma, é um país “que vai ser fortemente afetado pelas alterações climáticas e na verdade já o é” como o provam os incêndios, a erosão costeira e a tempestade Leslie.

Mariana Garrido considera que os sucessivos governos têm desvalorizado a emergência climática, “fechado os olhos aos impactos ambientais das centrais de Sines e do Pego” e desinvestido na “opção de mobilidade mais ecológica, a ferrovia”, e têm responsabilizado os indivíduos pelas suas opções individuais mas “fechado os olhos” a que cem empresas são responsáveis por 70% das emissões de CO2 e que “o capitalismo é que nos trouxe aqui”. Para o Bloco, a emergência climática é prioridade e “uma oportunidade de transformação”. E “no mundo que nós queremos há uma mudança estrutural para um sistema em que recursos finitos não podem nunca ser vistos como fontes de lucro infinitas”.

Uma só desmesura, a defesa de uma economia justa e direitos para os de baixo

José Manuel Pureza, cabeça de lista do Bloco por Coimbra, assegurou que o Bloco é “a força que dá

a confiança que usará todo o diálogo e terá a firmeza toda em favor dos direitos de todos.” Foi isso, assegura, que o Bloco fez. E “os precários do Rovisco Pais, a população da Leirosa, os profissionais de saúde dos serviços prisionais, os técnicos de reeducação e reinserção social” sabem como o partido defendeu os seus direitos.

Esta postura, pensa, faz com que as pessoas com que se têm encontrado na campanha desejem ao Bloco “sempre a mesma coisa, força”. Uma vez que “têm consciência que vai ser precisa para lutarmos contra quem quer que se mantenha tudo na mesma”.

Em troca, o Bloco compromete-se a “devolver essa força em direitos salários, em pensão, em Serviço Nacional de Saúde mais forte, em vida digna” e a “usar essa força para defender os de baixo”.

E se as pessoas exigem “que lutemos contra os empecilhos aos seus direitos”, o Bloco responde dando luta “sem tréguas” a “quem quer uma lei laboral injusta, aos capitalistas portugueses e chineses que enriquecem com as rendas da energia”, “aos grupos económicos que vivem do negócio da doença e exigem ao Estado que os financie”, “aos defensores dos vistos gold e da facilidade ao branqueamento de capitais à especulação imobiliária”.

Ao usar essa “força”, o Bloco promete não se enganar porque “é a direita e não é o povo socialista que vê num bloco de esquerda forte um inimigo a abater”. Assunção Cristas e Rui Rio querem afastar o Bloco “da determinação das políticas” porque este é quem “combaterá os interesses chorudos” da saúde, que mais fortemente combaterá pela “autodeterminação de cada uma e cada um que tanto escandaliza a direita mais trauliteira”, quem mais fortemente exigirá a revogação da legislação laboral que os patrões insistem em manter, nem se cansará “de lutar ao lado dos precários”, a enfrentar os capitalistas da energia e “defender uma fatura justa para as famílias” na energia.

José Manuel Pureza diz que estes devem estar certos que “o Bloco lhes dará razão para não quererem que cresçamos” porque o Bloco terá “uma só desmesura, a defesa de uma economia justa e direitos para os de baixo”. Assim fará no país como em Coimbra, “terra de memórias fortes de gente lutadora com coragem de transgredirem contra uma ordem injusta”, terra de Antero, de Zeca Afonso, de Manuel José Henriques, de António Arnaut e de Jorge Leite, uma herança de firmeza socialista que promete honrar.

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