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“Viver não é só respirar” gritou-se na Marcha por uma Vida Independente

A IIª Marcha por uma Vida Independente aconteceu este domingo em Lisboa, Porto e Vila Real. Vincou-se o orgulho pela diversidade humana e reivindicaram-se políticas efetivas sobre a deficiência. E Jorge Falcato sublinhou que é preciso fazer mais do que os projetos-piloto de vida independente.
Foto de Manuel Almeida/Lusa

Naquele que foi o Dia Europeu da Vida Independente a exigência do direito a uma assistência pessoal adequada saiu à rua em três cidades do país: Lisboa, Porto e Vila Real.

Em Lisboa, a Marcha percorreu o caminho entre a avenida da Liberdade e o Rossio e ficou marcada pelas palavras de ordem: “viver não é só respirar”, “assistencialismo é passado”, “não quero ir para um lar quero é trabalhar” e “assistência pessoal não é um favor, é um direito”.

Esta iniciativa foi promovida pelo Centro de Vida Independente. A sua presidente, Diana Santos, criticou a postura do governo sobre estes temas uma vez que este “comprometeu-se nesta legislatura que ia haver uma política efetiva de deficiência e até hoje não se concretizou”.

Para esta ativista, as mensagens dadas são “ambíguas”: “por um lado apregoa-se uma vida independente e por outro continuam a abrir camas em lares para pessoas com deficiência e não podemos continuar a perpetuar esta postura”, declarou à Lusa.

O deputado Jorge Falcato também exigiu que se faça mais. Explicou que continua a ser necessário implementar um verdadeiro sistema de assistência pessoal, com pagamentos diretos às pessoas com deficiência para que possam contratar quem querem para os ajudar. E mostrou as limitações dos projetos-piloto de Vida Independente Nacionais, pensados

para 200 pessoas no máximo mas que contemplam neste momento cerca de 800 pessoas. Jorge Falcato considera que o facto de terem uma duração diária muito limitada não responde às necessidades das pessoas com deficiência:

“o projeto piloto é para avaliar, mas não para transformar-se na base de uma futura lei de vida independente, porque não é com duas a três horas por dia que a pessoa fica autónoma para viver como quer, com quem quer e não ser internada num lar”, considera. Para além disto, estes projetos estão atrasados. Em Lisboa o atraso é de cinco meses.

No comunicado que convocava esta mobilização, os ativistas faziam outras exigências para além do direito à assistência pessoal e ao rendimento digno. A primeira das quais é a participação na elaboração de uma estratégia nacional para a deficiência, “nada sobre nós sem Nós”, dizem.

Para além disso, acessibilidade e mobilidade, habitação adaptada, formação profissional inclusiva, acesso à cultura e à informação, são algumas das reivindicações apresentadas.

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