O hemisfério sul está em pleno inverno. Mas várias partes da América do Sul, como o Chile e a Argentina, estão a ser percorridas por uma vaga de calor. O período entre janeiro a julho foi o mais quente nesta região do globo desde que há registos.
Nas montanhas andinas, a temperatura chegou aos 38,9 graus centígrados com dezenas de pontos acima dos mil metros de altitude com temperaturas acima dos 35º. Isto faz com a neve, abaixo dos 3.000 metros, da qual dependem as populações na primavera e verão, esteja a derreter.
A terça-feira da semana passada terá sido o dias mais quente do inverno no norte do Chile em 72 anos diz o cientista do clima da Universidade de Groningen Raul Cordero ao Guardian com 37º na estação de medição de Vicuña Los Pimientos, na região de Coquimbo. Para ele, “o principal problema é como as altas temperaturas vão exacerbar as secas (no leste da Argentina e no Uruguai) e acelerar o derretimento de neve”. E também no Chile onde, depois de incêndios fortes no início do ano e de nove ondas de calor desde então, chega igualmente a seca.
Outro especialista ouvido pelo mesmo jornal, Marcos Andrade, diretor de Física Atmosférica da Universidade Maior de San Andrés em La Paz confirma que as temperaturas na zona andina, nomeadamente na sua região entre a Bolívia e o Peru têm sido mais quentes desde o início do ano e no inverno “têm-se quebrado recordes de temperaturas em algumas partes do país”. Uma vez que “o pico do El Niño é habitualmente no fim do ano” este cientista pensa que “ainda não assistimos aos seus efeitos totais”.
Em várias zonas do Brasil, Argentina e Uruguai as ondas de calor também têm feito sentir o seu efeito desde o início do ano com Buenos Aires a superar a temperatura mais alta aí registada com 38,6º em 11 de março e com a cidade do Mercedes, no Uruguai, a chegar também a um valor recorde de 40,5º.