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Viticultores do Douro acumulam prejuízos

Há menos uvas, estão mais caras e houve redução de 6 mil pipas de benefício. A incerteza sobre o preço da pipa preocupa viticultores. Artigo de Interior do Avesso.
Vinho
Foto de Terry Kearney | Flickr

Segundo notícia do Jornal de Notícias, em 2020 a produção de uvas deve cair quase 25% no Douro. No total, é estimado que 630 milhões de litros de vinho sejam produzidos em Portugal, o que representa uma quebra de 3% em relação a 2019, de acordo com o Instituto da Vinha e do Vinho. Porém, nas regiões do Douro, Dão, Trás-os-Montes e Cister esperam-se quebras de 20% a 35%.

A somar a esta quebra, o Conselho Interprofissional do Instituto dos Vinho do Douro e Porto (IVDP) decidiu transformar um total de 102 mil pipas de mosto em vinho do Porto na vindima de 2020, valor que inclui uma reserva qualitativa de 10 mil pipas. Uma quebra de cerca de 6% face a 2019, que poderia ser de cerca de 15% sem a reserva qualitativa.

Em ano de pandemia, também o tempo não foi favorável, facilitando o aparecimento de doenças que obrigaram a duplicar os tratamentos, aumentando assim os custos de produção. Falta ainda saber qual o preço das uvas, fator determinante num ano que se está a revelar “negro” para o Douro.

Rui Soares, presidente da Prodouro – Associação de Viticultores Profissionais do Douro, em declarações ao JN, entende que se houvesse uma baixa do preço da pipa “já seria penalização a mais”.

Sobre a decisão do Conselho Interprofissional do IVDP de reduzir o benefício, Rui Soares comenta que há um sentimento “agridoce”. A parte doce refere-se às 10 mil pipas da reserva qualitativa, que impediram um corte maior. Amargo porque o Governo apenas autorizou cinco milhões de euros para ajudar a enfrentar a crise, em vez dos dez milhões do saldo de gerência do IVDP reivindicados pela região. “Porque é que não se pediu um pouco mais de esforço para financiar o diferencial de seis mil pipas, de modo a chegar-se ao quantitativo de 2019?”.

Incerteza sobre o preço da pipa preocupa viticultores

Para Pedro Perry, viticultor do Pinhão, Alijó, em declarações ao mesmo jornal, “o número de pipas de benefício tornou-se um pouco secundário”. Porque, “às vezes, autorizam mais, mas depois o preço de cada uma diminui. Outras vezes, beneficiam-se menos e o preço sobre. Num ano normal, varia entre os 800 e os 1000 euros, consoante a classificação da zona de colheita.”

Joaquim Monteiro, em Ervedosa do Douro, São João da Pesqueira, outro viticultor com quem o JN falou, concorda. “Levamos no corpo com 6 mil pipas de benefício a menos e não sabemos o preço de cada uma”. Na sua opinião “era desnecessário” tal corte e o “interprofissional devia ter tido em conta que este é um ano atípico”, o que justificava “haver mais solidariedade”.

A preocupação aumenta ainda com a incógnita sobre quanto se vai receber pelas uvas para produzir vinho de mesa. “O ano passado rondou entre 400 e 500 euros a pipa. Com menos que isso, 20% dos agricultores vão à vida, não se aguentam”, considera Joaquim Monteiro.

Artigo publicado em Interior do Avesso

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