Está aqui

Visita do rei a Barcelona marca arranque da campanha

O tema da Catalunha volta a estar no centro da política para as eleições de 10 de novembro. Presença de Felipe VI em Barcelona durante a campanha está a indignar os partidos independentistas.
Monarca espanhol será alvo de protestos esta segunda-feira em Barcelona. Imagem TV3.

Os dois partidos que formam o governo catalão apresentaram queixa à Junta Eleitoral, pedindo o adiamento do ato público que o monarca espanhol pretende fazer esta segunda-feira em Barcelona. A Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) e os Juntos pela Catalunha (JxCat) dizem que por trás da visita está a intenção “eleitoralista” de apoiar “as forças políticas que se apresentam como constitucionalistas”.

A Junta Eleitoral recusou o pedido dos dois partidos e alegou a sua falta de fundamento legal e constitucional. Para a Junta, trata-se de uma visita institucional e não de campanha, para além de não poder ser posto em causa o dever de isenção que cabe ao chefe de estado. A presença do monarca espanhol será seguida de perto pela mobilização republicana e independentista, com concentrações marcadas para bloquear os seus movimentos durante a passagem pela capital catalã.

O conflito catalão foi também está sexta-feira o tema principal do primeiro debate eleitoral na TVE, com a presença dos líderes parlamentares dos principais partidos. À direita, Ciudadanos, PP e Vox defenderam o afastamento dos líderes de governo em Barcelona e Madrid, enquanto à esquerda, a ERC defendeu mais diálogo e no formato multilateral, que inclua a União Europeia, para além de uma amnistia aos presos políticos e um referendo na Catalunha.

Outro tema do debate, lançado por Irene Montero, do Podemos, foi a acusação ao PSOE de querer usar o conflito na Catalunha como pretexto para fazer um acordo com o PP após as eleições, se lhe continuar a faltar a maioria dos deputados. A situação de bloqueio institucional e a falta de vontade de Pedro Sánchez em negociar com o Podemos, começando por vetar a presença de Pablo Iglesias no governo e oferecendo depois algumas pastas vazias de competências, foi um dos argumentos lançados por Montero. “O próximo governo tem de ser de coligação e o único que não o aceita é Pedro Sánchez”, criticou a deputada do Podemos.

A hipótese de uma aliança pós-eleitoral entre PSOE e PP foi também levantada pelo representante do Vox para atacar o partido liderado por Pablo Casado, que tem crescido nas sondagens à custa do Ciudadanos. Este partido, pelo contrário, manifestou-se agora favorável a um acordo com o PP, após o seu líder Albert Rivera ter levantado o veto a uma eventual viabilização de um governo do PSOE. Os ziguezagues da estratégia do Ciudadanos nos últimos meses custaram-lhe o apoio de boa parte do seu eleitorado, competindo agora com o Vox pelo lugar de segundo partido da direita espanhola.

Em Vitória, Pedro Sánchez não demorou em responder ao Podemos, garantindo que não irá fazer nenhuma coligação com o PP depois das eleições. “Este é o compromisso do PSOE. Não vamos pactar com um partido político que pactou com a ultradireita”, prometeu o líder do PSOE. Mas não afastou a hipótese de um pacto de investidura que lhe permita formar governo com a abstenção dos deputados do PP, como lembrou depois Pablo Iglesias.

Ao desafio lançado por Sánchez sobre se o Podemos irá novamente bloquear a formação de um governo do PSOE, Iglesias respondeu, referindo-se aos milhões de eleitores  do seu partido, com a garantia de que “não vamos oferecer o seu voto, pois o seu voto é um mandato sagrado para estar no governo a mudar as coisas neste país”. Ou seja, sem acordo político entre os dois partidos para o próximo governo, será pouco provável que Sánchez possa contar com o voto favorável dos deputados do Podemos na investidura.

Termos relacionados Internacional
(...)