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Visita de Bolsonaro gera protestos na Índia

Protesto contra Bolsonaro na Índia. Janeiro de 2020.
Protesto contra Bolsonaro na Índia. Janeiro de 2020. Foto de Bhavreen Kandhari/Twitter.

Os camponeses indianos querem amargar a visita do presidente brasileiro ao país. A Federação de Produtores de Cana-de-Açúcar da Índia lançou uma campanha intitulada #GoBackBolsonaro, como forma de protesto pelo facto de Jair Bolsonaro ser o convidado de honra do Dia da República, data em que se celebra a entrada em vigor da constituição indiana em 1950.

Durante uma semana, os camponeses estão a colocar faixas e bandeiras negras sobre as plantações, exigindo que se retire o convite a Bolsonaro. Uma ação que apresenta objetivos políticos, ambientais e económicos. Politicamente considera-se o governo brasileiro como sendo de extrema direita e “cada vez mais autoritário”. O repúdio à presença de Bolsonaro reveste-se assim de movimento de “solidariedade em apoio ao povo brasileiro, que protesta contra seu regime corrupto e repressivo”.

Os motivos ambientais também são vincados: “testemunhamos as suas políticas destrutivas e exploradoras no Brasil, incluindo abrir portas para o saque corporativo da floresta amazónica”.

E há, claro, uma motivação económica. O governo brasileiro é um dos que pressionam na Organização Mundial de Comércio para que acabem as medidas protecionistas de apoio aos produtores de cana-de-açúcar indianos. No comunicado em que lançam a campanha justificam: “se a OMC tomar uma decisão contra a Índia, (…) a produção local cairá e seremos empurrados para a importação de açúcar”. Se isso acontecer, o setor que “emprega mais de 50 milhões de agricultores e mais de 500 mil trabalhadores fábricas de açúcar, pode enfrentar um colapso iminente”.

Entre os dois governantes, os camponeses notam, aliás, paralelos. São “crescentemente autoritários e agressivamente favoráveis” aos interesses dos grandes grupos económicos. Ambos enfrentam protestos de trabalhadores, estudantes e outros grupos oprimidos.

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