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Violência no namoro: mais de duas mil denúncias à polícia em 2019

Entre violência no namoro e violência contra ex-namorados, houve em 2019 cerca de 2100 casos que chegaram à polícia. O Observatório da Violência no Namoro, por sua vez, recebeu 74 denúncias.

Houve 900 denúncias de violência no namoro em 2019. A estas acrescentam-se as 1200 denúncias de violência praticada contra ex-namorados. Os números dizem respeito apenas aos casos que chegaram à Polícia de Segurança Pública que esclarece que a estatística final ainda se encontra em fase de consolidação.

A PSP divulgou os dados sexta-feira de forma a coincidir com o dia dos namorados. Estes indicam o maior parte das vítimas é do sexo feminino e que se situa na faixa etária dos 18 aos 24 anos.

Também para assinalar a data, a PSP está realizar, no âmbito do Programa Escola Segura, uma operação denominada “no namoro não há guerra”. No ano letivo passado, este programa realizou 1335 ações sobre este tema.

Para além das denúncias nas autoridades, há outras que chegam por outras vias. Neste mesmo dia, o Observatório da Violência no Namoro, iniciativa da Associação Plano i, tornou público que lhe chegaram, em 2019, 74 denúncias deste tipo. A maior parte destas denúncias (73%) não foi comunicada às autoridades. 46 casos foram denunciados pelas vítimas, 28 por testemunhas.

A instituição disponibiliza um formulário online para a denúncia destes casos quer por vítimas, quer por testemunhas. A informação recolhida permite concluir que a razão apontada na esmagadora maioria dos casos foi o ciúme (70,3%). Em segundo lugar estão identificados os problemas mentais do agressor (40,5%). 77% destas denúncias envolvem os atuais namorados.

A violência verbal marca 87,8% dos casos. Segue-se a violência psicológica (75,7%), o controlo (64,9%), a perseguição (35,1%), a violência social (32,4%) e a violência física e sexual (27%). Em 12,2% dos casos houve ameaças de morte, em 13,5% as vítimas precisaram receber tratamento médico. 1,4% tiveram de ser hospitalizadas.

O retrato estatístico das vítimas é o seguinte: mulheres (95,9%), heterossexuais (87,8%), de nacionalidade portuguesa (94,6%), com uma média de idade de 21 anos. Os agressores são maioritariamente de sexo masculino (91,9%) com uma idade média de 23 anos. A geografia das denúncias aponta para 51,4% dos casos no Porto e 10% nos distritos de Lisboa e Aveiro.

A conclusão da avaliação do Observatório é dupla: por um lado, houve menos denúncias face ao ano anterior (tinham sido então 128), por outro as que chegaram foram consideradas mais graves.

Violência no namoro nas universidades

Da responsabilidade da mesma Associação Plano i e também divulgado nesta sexta-feira, o “Estudo Nacional da Violência no Namoro em Contexto Universitário: Crenças e Práticas” mostra que, entre abril de 2017 e janeiro de 2020, 53,9% dos universitários inquiridos foram sujeitos a violência no namoro e que 35% já a praticaram. 16,4% das mulheres e 9,4% dos homens foram ameaçados verbalmente ou através de comportamentos intimidantes. 10% das mulheres e 7,9% dos homens sofreram mazelas físicas. 6,9% das mulheres e 5,5% dos homens já sofreram ameaças de morte, atentados contra a vida ou ferimentos que obrigaram a receber tratamento médico. 9,5% das mulheres e 5,2% dos homens foram obrigados a comportamentos sexuais não desejados.

O inquérito, que contou com 3.256 entrevistas, indica que 23,4% das mulheres e 19,6% dos homens já foram criticados, insultados, difamados e acusados sem razão, que 20,7% das mulheres e 11,1% dos homens foram controlados na roupa que usam ou noutro aspeto da sua imagem, nos locais a que vai ou nos seus círculos de amizade. 13,9% das mulheres e 10,3% dos homens foram impedidos de trabalhar, estudar ou de sair sozinhos.

Este questionário dedicou-se ainda à análise das atitudes. Assim, 3,6% das mulheres e 15,4% dos homens pensam que o ciúme é prova de amor; 2,3% das mulheres e 3,1% dos homens discordam que ambos os géneros devem ter os mesmos direitos e deveres; 12,2% das mulheres e 27,4% dos homens acham que, em alguns casos, a violência doméstica é provocada pelas mulheres.

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