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“Violência no namoro é a antecâmara da violência doméstica”

Esta sexta-feira houve concentração em Lisboa pelo fim da violência machista e contra o aumento do número de femicídios em Portugal. A deputada bloquista Sandra Cunha lembrou que a violência no namoro “também é um crime público que deve ser denunciado”.
Concentração feminista desta sexta-feira em Lisboa
Concentração feminista desta sexta-feira em Lisboa. Foto Rita Sarrico.

A concentração “Nem uma a menos, Vivas nos queremos!”, organizada pela Rede 8 de Março juntou cerca de uma centena de mulheres, sobretudo jovens, no Rossio, em Lisboa, para acabar com o silêncio face ao número de mulheres assassinadas em Portugal. A data escolhida foi o Dia dos Namorados, porque “a violência em relações íntimas começa cedo no namoro, onde já se reproduzem atitudes e dinâmicas machistas e se normaliza o amor romântico patriarcal, a submissão ao relacionamento amoroso e a dependência emocional”, afirma a convocatória do protesto. A concentração serviu ainda para divulgar a greve feminista internacional do próximo dia 8 de Março.

As organizadoras exigem o reconhecimento oficial das vítimas de femicídio, com este crime a ser considerado crime de género e não apenas homicídio na lei portuguesa. A aposta na educação cívica e sexual nas escolas para prevenir a violência no namoro, a criação de um observatório público dos femicídios e o reforço dos apoios às mulheres violentadas em sua casa, com o efetivo afastamento do agressor, são outras das reivindicações da Rede 8 de Março.

A deputada bloquista Sandra Cunha participou na concentração e afirmou aos jornalistas que “neste dia em que se celebra o amor entre as pessoas é importante lembrar que a violência no namoro é a antecâmara da violência doméstica e este é o crime que mais mata em Portugal”. Referindo os dados divulgados esta sexta-feira pelo Observatório da Violência no Namoro, Sandra Cunha apontou que “mais de metade dos jovens que reconhecem já ter vivido uma situação de violência no namoro” e um número ainda maior de inquiridos “considera normal existir algum ato de violência no namoro”.

Para contrariar estes números, é preciso sensibilizar os mais jovens de que “tudo o que é violência psicológica, a perseguição, o controlo das redes sociais, do telemóvel, dos amigos, as exigências, o rebaixar e humilhar são sinais claros de violência. No namoro não pode haver violência, o namoro deve ser um porto de refúgio como qualquer relação de intimidade”, sublinhou a deputada do Bloco.  

É necessário também “alertar que a violência no namoro também é um crime público que deve ser denunciado” e que a educação para a cidadania e a igualdade “seja realmente implementada nas escolas”, prosseguiu a deputada, mostrando-se reticente a mais mudanças numa legislação que “está consolidada”. É preciso é que as leis existentes sejam aplicadas nos tribunais, uma vez que “o que acontece neste momento em relação à violência doméstica e abusos sexuais e violações é uma justiça muito branda, mesmo para as molduras penais que temos”, que ainda assim são inferiores  “às que têm por exemplo os crimes contra o património”.

Uma das alterações à lei que vale a pena fazer, concluiu Sandra Cunha, passa por tornar a violação como crime público, “como fizemos para a violência doméstica: só com essa grande conquista se conseguiu trazer para a rua a dimensão do que é este crime na nossa sociedade”, lembrou a deputada.

 

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