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Violência de género: uma pandemia dentro da pandemia

ONU assinala que apenas um em cada oito países implementou medidas para proteger mulheres e crianças no contexto pandémico. O número de chamadas para linhas de apoio a vítimas de violência doméstica aumentou 500%. Nações Unidas pedem fundos, prevenção, resposta e recolha de dados.
Fotografia de Paulete Matos.

A reportagem da ONU News em Nova Iorque lembra que, pelo menos, 243 milhões de mulheres e meninas foram vítimas de violência no ano passado por parte de um parceiro ou pessoa íntima. Desde o início da pandemia, todos os tipos de violência contra mulheres e meninas se intensificaram. O número de chamadas para linhas de apoio a vítimas de violência doméstica aumentou 500%. Menos de 40% denunciam o caso ou procuram ajuda.

Conforme avança a AFP, em julho, a ONU estimou que seis meses de restrições poderiam traduzir-se em mais 31 milhões de casos de violência sexual no mundo e sete milhões de gravidezes indesejadas. A luta contra a mutilação genital feminina e os casamentos forçados também tem sido afetada pela pandemia, alertam as Nações Unidas.

A ONU Mulheres exorta a um esforço coletivo global para travar esta ameaça aos direitos humanos. Numa missiva enviada aos chefes de estado, a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, pediu apoio dos líderes internacionais com “ações concretas”.

A responsável defende que a violência contra as mulheres e meninas não é um fenómeno inevitável e que “com vontade política, informação, tolerância zero e punição dos agressores, os governos podem sim proteger as mulheres”. Os executivos a nível mundial devem comprometer-se no sentido da luta pela sua erradicação e implementar medidas específicas para reduzir o impacto socioeconómico da pandemia.

Mlambo-Ngcuka enfatizou que o combate à violência de género deve prever quatro áreas de atuação: fundos, prevenção, resposta e recolha de dados.

Em Portugal, o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres será assinalado online e na rua. Para Lisboa está agendada uma concentração no Rossio, em Lisboa, às 17h. Em Viseu, a vigília vai acontecer no Rossio, às 18h.

 

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