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VIH: distribuição de preservativos é “insuficiente”, denunciam ativistas

O GAT quer que a DGS duplique o número anual de preservativos distribuídos gratuitamente e que estes sejam disponibilizados “sem barreiras” em hospitais, escolas e estabelecimentos prisionais de forma a prevenir a infeção pelo VIH e outras IST.
VIH: distribuição de preservativos é “insuficiente”, denunciam ativistas
Os ativistas na área do VIH lembram que o preservativo é uma ferramenta altamente custo-eficaz” tendo em conta os ganhos em saúde. Foto de wotm/Flickr.

O GAT – Grupo de Ativistas em Tratamentos propôs à Direção-Geral da Saúde (DGS) que aumente de cinco para dez milhões o número de preservativos distribuídos.

Na sétima edição em Portugal da iniciativa internacional Dia Internacional do Preservativo, o grupo de ativistas na área do VIH e SIDA alerta para “a insuficiente distribuição gratuita de preservativos em Portugal”, da responsabilidade da DGS, através do Programa Nacional para a infeção VIH/SIDA.

“Não obstante os esforços feitos, esta distribuição não responde às necessidades identificadas, em termos de quantidade e de locais de distribuição”, afirmou a associação em comunicado divulgado à comunicação social. A associação quer também que a DGS disponibilize o material de prevenção do VIH e outras infeções sexualmente transmissíveis em locais estratégicos e “sem barreiras”.

Em declarações à agência Lusa, Ricardo Fernandes, diretor executivo do GAT, afirma que continuam “a apelar para a necessidade de termos um Plano Nacional de Prevenção do VIH e de Doenças Sexualmente Transmissíveis que inclua os meios que serão alocados, entre eles, uma estratégia de distribuição de preservativos masculinos e femininos em locais de fácil acesso”, mas também onde há dificuldades de acesso como nos hospitais públicos, nas escolas e nas prisões, adiantou.

Os ativistas lembram que enquanto não for possível melhorar a distribuição de preservativos em locais como os estabelecimentos prisionais e as escolas, “vai ser muito difícil” conseguir conter a epidemia do VIH. Ricardo Fernandes lembra que os preservativos continuam a não ser distribuídos de forma sistemática em prisões. Também nos estabelecimentos de ensino continuam a existir “grandes barreiras por parte de vários agentes”.

“Mesmo nos centros de saúde, na maior parte dos casos, o preservativo só pode obtido através da ida a uma enfermeira”, afirmou, defendendo que este meio de prevenção deve estar disponível para que a pessoa o possa levar “sem qualquer intermediário”.

Para melhorar a distribuição, o GAT propõe “uma duplicação dos cerca de cinco milhões de preservativos que são adquiridos atualmente, para os 10 milhões a nível nacional”.

“Nós celebramos o Dia Internacional do Preservativo há sete anos e há sete anos que pedimos o aumento da distribuição de preservativos não só em quantidade, mas também nos locais estratégicos”, sublinhou o diretor executivo da associação.

Ricardo Fernandes lembrou que o preservativo é “uma ferramenta altamente custo-eficaz”, tendo em conta os ganhos em saúde, não havendo por isso “razão nenhuma para não haver um investimento muito alto”.

“Há uma série de passos” que têm de ser dados para conseguir que “Portugal seja um exemplo daquilo que é a contenção da epidemia pelo VIH até 2030”, conforme o compromisso assinado com a ONU.

“Precisamos de facto de agir em todas as frentes e esta é uma das frentes em que nós exortamos os decisores e os políticos para porem como prioridade” este meio de prevenção, mas também outras ferramentas como a Profilaxia Pré-Exposição e a Profilaxia Pós-Exposição.

A Câmara Municipal de Lisboa, na pessoa do vereador Manuel Grilo, instalou 60 suportes com preservativos e materiais informativos da campanha “Nós Paramos o VIH” em espaços de atendimento ao munícipe, bibliotecas municipais e espaços para jovens. Além disso, em parceria com a DGS e o GAT, estarão a fazer rastreios rápidos ao VIH na Loja do Cidadão do Saldanha.

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