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Várias escolas e universidades de Lisboa pintadas com mensagens racistas

Um grupo pintou frases como “morte aos pretos”, “morte aos ciganos” ou “zucas, voltem para as favelas” e o símbolo do movimento Geração Identitária. Em várias das escolas alvo da mensagem racista desta sexta-feira, não é a primeira vez que tal acontece.
Entrada da Escola Secundária António Damásio pintada com mensagem racista. Foto de Ira Sobral no Twitter.
Entrada da Escola Secundária António Damásio pintada com mensagem racista. Foto de Ira Sobral no Twitter.

“Fora com os pretos. Por uma escola branca”. Esta foi uma das várias mensagens racistas que surgiram pintadas à entrada de escolas e universidades da zona de Lisboa esta sexta-feira. Terão sido pintadas pelo mesmo grupo na madrugada de quinta-feira, uma vez que têm todas o símbolo que identifica a Geração Identitária francesa e que a organização portuguesa com o mesmo nome copiou.

A Escola Secundária da Portela e de Sacavém, a Secundária António Damásio e a Secundária Eça de Queirós em Lisboa, a Universidade Católica e o ISCTE foram alguns dos alvos do grupo racista.

As mensagens não variam, dizendo coisas como “Viva a raça branca”, “Viva a Europa Branca” ou fora “Fora com os pretos”, “Portugal é branco. Pretos, voltem para África" ou “Zucas, voltem para as favelas. Não vos queremos aqui”. Há mensagens ainda mais violentas como “morte aos pretos”, pintada no parque de estacionamento do ISCTE e “morte aos ciganos” pintada na Escola Secundária de Sacavém.

A Universidade Católica teve direito a uma mensagem particular: “Por uma Católica sem escarumbas”. A direção da instituição avançou com uma queixa no Ministério Público e lançou um comunicado em que escreve que o sucedido é um atentado “contra os princípios basilares do que a universidade enquanto espaço de abertura e diálogo representa e reafirma que continuará, firmemente, a desenvolver a sua ação educativa assente no respeito pela dignidade da pessoa, nos valores da liberdade e do diálogo, rejeitando qualquer forma de discriminação social, de raça ou sexo, e pugnando sempre pela inclusão e coesão sociais em prol do bem comum da sociedade”.

As direções das escolas visadas são, aliás, unânimes na condenação dos atos de vandalismo. Ao Observador, Maria Eugénia Coelho, diretora do Agrupamento de Escolas Eça de Queirós, condenou o sucedido, informou que é a segunda vez que isto acontece na escola e que foram os próprios alunos que vieram ter com a direção informando e avançando com a iniciativa de “pintar sobre estas palavras de ódio”. Na Escola Secundária António Damásio este tipo de pinturas também são repetidas. É a terceira vez que o mesmo ocorre.

Também a Associação de Estudantes do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE) expressa um “total choque” com o sucedido nesta madrugada. “Este tipo de ações são repugnantes e vão contra todos os nossos valores”, escrevem, sublinhando que “actos racistas não podem ser tolerados ou confundidos com liberdade de expressão”, por violarem os direitos humanos. Terminam com uma mensagem de solidariedade destinada a estudantes que se possam sentir ofendidos com este vandalismo racista e xenófobo.

Para além dos estabelecimentos de ensino, também o Centro de Acolhimento para Refugiados foi alvo destas mensagens criminosas. Em nota nas redes sociais, a instituição declarou que “após os atos de vandalismo com frases xenófobas e racistas nas paredes exteriores do Centro de Acolhimento para Refugiados, o Conselho Português para os Refugiados reafirma o seu repúdio contra qualquer atitude de ódio e violência na sociedade portuguesa, prosseguindo a sua missão e trabalho na promoção e defesa dos Direitos Humanos”.

Segundo o Público, o gabinete do vereador com a pasta da Educação na Câmara de Lisboa, o bloquista Manuel Grilo, também reagiu expressando a intenção de voltar a “pintar de branco” estas paredes e de “colocar uma faixa” nos locais. Já o deputado municipal bloquista Ricardo Moreira lembrou que “desde 2019 e por iniciativa do Bloco de Lisboa” a cidade se assume como “anti-racista”.

 

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