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Vaga de especulação nos mercados em vésperas de cimeira europeia

Os juros das emissões dos leilões de dívida promovidos terça-feira por Espanha e Itália atingiram valores recordes nos últimos meses, revelando ao mesmo tempo as pressões dos mercados financeiros sobre os dois casos actualmente mais sensíveis na Zona Euro e também sobre a cimeira europeia de quinta e sexta-feira.
Foto NBB-BNB/Flickr

Um leilão de dívida a dois anos promovido pela Itália atingiu juros de 4,712 por cento, o valor mais alto desde Dezembro e numa altura em que o governo tecnocrata de Monti tentava fazer crer que "a Itália não é a Espanha".

Os juros do leilão de dívida que a Espanha promoveu exactamente no dia a seguir ao governo de Madrid se ter colocado às ordens da troika triplicaram. O ministro espanhol das Finanças apresentou aos espanhóis o chamado "pedido de ajuda" como um acto de generosidade do país para salvar o euro através do apoio ao seu sistema bancário privado. Os mercados reagiram multiplicando por três os juros exigidos a Madrid.

A procura dos títulos de dívida italianos ultrapassou em 1,65 vezes a oferta, valor considerado em linha com os últimos leilões e que traduzem o apetite especulativo que a situação italiana tem suscitado nos mercados. Em Itália os juros da dívida nos mercados secundários têm estado em alta permanente e na manhã de quarta feira atingiram os 6,09 por cento, muito acima dos valores considerados fronteiriços para que os países recorram aos resgates da troika.

O primeiro ministro italiano, conselheiro do gigante americano Lehman Brothers e conhecido pela sua experiência e profundo conhecimento das actividades especulativas dos mercados financeiros lançou um apelo ao meio, que resumiu como "operadores e analistas", para que "não se deixem dominar por clichés ou preconceitos".

Um dia depois de a Espanha e Chipre se terem tornado os dois novos países da União Europeia sob a tutela da troika, o presidente da Comissão, Durão Barroso, disse que a crise em curso é "o momento mais grave" da integração europeia, uma declaração dramatizando a próxima cimeira europeia, a primeira dos últimos anos a não ser tutelada pela dupla Merkel e Sarkozy. A chefe do governo alemão e o novo presidente francês, François Hollande, encontram-se na quarta-feira à noite para acertar a estratégia do eixo, sabendo-se que os dois não têm tido, até agora, pontos de vista coincidentes nas questões do governo económico único e do chamado pacto fiscal, o pacto de austeridade.

O comportamento mais fortemente especulativo nos mercados nestes dias que antecedem a cimeira revela as pressões para que sobretudo as posições da Alemanha sobre a governação central dos orçamentos nacionais e os "ajustamentos" dos mercados laborais à liberalização total prevaleçam sobre eventuais resistências do presidente francês.


Publicado no portal do Bloco no Parlamento Europeu.

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