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UNRWA acusa EUA de politizarem a ajuda humanitária

Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina expressa “grande desapontamento pela natureza da decisão dos EUA” de não lhe fornecer mais financiamento e acusa o país de politizar ajuda humanitária.
A UNRWA presta assistência a cerca de cinco milhões de refugiados nos Territórios Palestinianos ocupados por Israel, na Jordânia, Líbano e Síria.
A UNRWA presta assistência a cerca de cinco milhões de refugiados nos Territórios Palestinianos ocupados por Israel, na Jordânia, Líbano e Síria.

Esta decisão, de acordo com o Comissário-Geral da Agência, Pierre Krähenbüh, “afeta uma das mais robustas e recompensadoras parcerias nos campos humanitário e de desenvolvimento” e “rejeita sem reservas a narrativa que a acompanha”.

Contudo, confirma que “nos aplicaremos com toda a energia e criatividade para continuar a atender às necessidades da comunidade e preservar os nossos serviços vitais. Todos os funcionários estarão nas suas estações de serviço e manterão as nossas instalações abertas e seguras.”

“A notável história da UNRWA é composta por milhões de atos de abnegação e coragem numa das regiões mais polarizadas e emocionalmente carregadas do mundo. Tenho orgulho e honra em liderar esta agência dinâmica e prestar homenagem às dezenas de colegas cujas vidas foram perdidas nos últimos anos, em particular em Gaza, na Síria e na Cisjordânia.”, afirma.

A instituição existe desde 1949 e tem o objetivo de prestar assistência e proteger os direitos dos refugiados na Palestina. Foi esta a expressão da vontade coletiva da comunidade internacional e da Assembleia Geral das Nações Unidas, que elogiou consistentemente os resultados de desenvolvimento humano alcançados pela Agência e ampliou o seu mandato.

“A necessidade de ação humanitária surge da extrema violência, dor, sofrimento e injustiça causada pela guerra”, afirma o comunicado. “No caso dos refugiados da Palestina, isso foi causado por deslocamento forçado, desapropriação, perda de lares e meios de subsistência, bem como por apatridia e ocupação. Não importa quantas vezes sejam feitas tentativas para minimizar ou deslegitimar as experiências individuais e coletivas dos refugiados da Palestina, permanece o facto inegável de que eles têm direitos sob o direito internacional e representam uma comunidade de 5,4 milhões de homens, mulheres e crianças que não podem simplesmente ser dispensados”, sublinha.

O Comissário considera ainda que “a responsabilidade pela natureza demorada do campo de refugiados da Palestina, o crescente número de refugiados e o crescimento das necessidades estão diretamente ligados às partes e à falta de vontade da comunidade internacional ou à total incapacidade de trazer uma solução negociada e pacífica para os refugiados”.

Em janeiro de 2018, os EUA anunciaram que a sua contribuição anual para a UNRWA seria de 60 milhões de dólares. A UNRWA reconheceu o importante financiamento na época, mas também destacou que representava uma redução de 300 milhões de dólares na receita, o que causou grandes problemas à organização. Em nenhum momento nos últimos oito meses havia sido notificada das razões específicas para o corte.

No entanto, afirma o comunicado, “parecia estar claramente relacionado com as tensões entre os Estados Unidos e a liderança palestiniana após o anúncio dos EUA em Jerusalém e não com o desempenho da UNRWA. Representou, portanto, uma evidente politização da ajuda humanitária.” Isto, lê-se no comunicado, “corre o risco de minar as bases dos sistemas internacionais multilaterais e humanitários”.

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