Universidade japonesa manipulava exames para não admitir mulheres

03 de agosto 2018 - 17:48

Exames de acesso à universidade começaram a ser manipulados quando se observou um aumento do número de candidatas do sexo feminino. Manipulação é justificada com a ideia de que homens são mais adequados para a medicina.

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Universidade japonesa manipulava exames para não admitir mulheres
A Tokyo Medical School manipulava exames desde 2011.

Uma universidade privada em Tóquio, no Japão, manipulou durante vários anos os resultados dos exames de acesso à instituição com o objetivo de admitir menos mulheres.

Este caso está a ser atualmente investigado por um gabinete jurídico a pedido da própria universidade. Segundo um porta voz da universidade privada de medicina, aguardam-se nas próximas semanas por conclusões que esclareçam melhor a situação.

Segundo a agência Lusa, o caso foi tornado público no momento em que o Ministério Público de Tóquio investiga a mesma universidade pela suposta pressão exercida por um alto funcionário do Ministério da Educação, Ciência e Tecnologia para que esta admitisse o seu filho, sob a ameaça de retirar a ajuda pública.

A Universidade de Medicina de Tóquio começou a manipular os resultados obtidos pelos candidatos para estudar medicina em 2011, depois de ter registado um aumento no número de alunas no ano anterior. Nesse ano letivo as mulheres compunham 40% dos novos alunos da universidade, o dobro do registado em 2009.

Desde então, o conselho de administração da universidade aplicou critérios mais restritivos na avaliação de mulheres nos exames de admissão de forma a manter a percentagem de estudantes do sexo feminino em cerca de 30% do total de novos alunos, noticia a Lusa.

Na base da manipulação estaria a ideia de que os homens são mais adequados à profissão médica, porque as mulheres japonesas frequentemente param de trabalhar depois de se casarem e de terem filhos, segundo o jornal japonês.

No Japão, aproximadamente metade das mulheres deixa definitivamente os seus empregos depois de se tornarem mães, devido a fatores socioculturais e dificuldades em conciliar vida a familiar e profissional neste país asiático.

O problema da presença de mulheres no mercado de trabalho é tão grave que o Governo japonês lançou a estratégia "Womenomics" para promover uma maior participação feminina, mas o país continua a registar uma diferença salarial entre homens e mulheres, bem como uma diminuta presença do género feminino nas grandes empresas e na classe política.