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Unidos Podemos apresenta moção de censura a Rajoy

A iniciativa surge na sequência dos recentes escândalos de corrupção envolvendo altas figuras do Partido Popular. Trata-se da terceira moção de censura desde 1978.
Conferência de imprensa da apresentação da moção de censura.

Um dos casos de corrupção que têm abalado o partido do governo em Espanha levou esta semana à demissão da porta-voz do PP em Madrid, a ex-ministra Esperanza Aguirre. Nos últimos anos, várias operações policiais têm procurado desmontar os esquemas de financiamento partidário ilegal em troca de contratos públicos em cidades e regiões controladas pelo Partido Popular.

Esta quinta-feira, o líder do Podemos, Pablo Iglesias, juntou-se a Alberto Garzón, da Izquierda Unida, Xavi Domènech, do En Comú Podem e Antón Gómez-Reino, do En Marea. Estes dirigentes das organizações que compõem o Unidos Podemos não anunciaram quem será o nome alternativo para a presidência do governo, uma condição necessária para a apresentação da moção de censura.

“Não é uma questão de nomes ou de caras”, afirmou Pablo Iglesias, que esta sexta-feira afirmou estar aberto a apoiar um nome indicado pelo PSOE ou mesmo pelos Ciudadanos, caso estes partido decidam apoiar a moção de censura. “Se o PSOE ou o Ciudadanos quiserem trabalhar connosco, que proponham candidatos, isso não será um problema”, desafiou o líder do Podemos.

No entanto, PSOE e Ciudadanos já vieram demarcar-se da iniciativa. Para Iglesias, os dois partidos deviam reconsiderar a sua posição, pois “as pessoas não entendem que se diga que se está contra a corrupção e ao mesmo tempo mantém no governo o partido mais corrupto da Europa”.

Ambos os partidos juntaram-se ao PP para impedir que Rajoy fosse ao parlamento dar explicações sobre a "Operação Lezo", que levou à prisão do ex-presidenteda Comunidade de Madrid, Ignazio González.

Se entre os partidos à esquerda do PP não parece haver apoio à moção de censura, o mesmo não acontece com as maiores centrais sindicais do país UGT e Comisiones Obreras declaram esta sexta-feira que apoiam a iniciativa.

“A corrupção do PP é um vírus”

Na conferência de imprensa de apresentação da moção de censura, Iglesias afirmou que a iniciativa se deve ao estado de exceção que se vive em Espanha e que “a corrupção do PP é um vírus”, pelo que “não podemos permitir que aconteça a situação que se viveu em Itália.

O líder do Podemos acrescentou que a apresentação da moção de censura, mesmo  “é uma obrigação ética e moral” e desafiou as formações parlamentares capazes de criar “uma alternativa ao PP e a Rajoy” a apoiá-la.  

Esta será a terceira moção de censura a ser votada no parlamento espanhol desde o fim da ditadura franquista. As duas anteriores, em 1980 e 1987, acabaram chumbadas.

 

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