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Única preocupação do Programa de Estabilidade é entrar no "campeonato europeu da décima"

Mariana Mortágua assinala que o programa apresentado pelo Governo não tem ambição e só visa "cumprir e até ultrapassar a mais ínfima décima e a mais ínfima regra europeia”, preocupando-se muito pouco com preparar o país “para os enormes desafios que vamos ter no futuro".
Foto de Tiago Petinga, Lusa.

A deputada bloquista reagia assim ao Programa de Estabilidade apresentado esta segunda-feira pelo ministro das Finanças, Mário Centeno, no qual o Governo prevê um crescimento de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021 e 2022 e uma expansão da economia de 2,1% em 2023.

De acordo com Mariana Mortágua, as previsões do Orçamento do Estado para 2018 "estavam erradas" e o resultado dessas previsões "pouco rigorosas" foi uma “folga orçamental que poderia ter sido utilizada para investimento público”.

"Hoje percebemos melhor para que será utilizada essa folga que vem de 2018 e é de 1.100 milhões de euros”, será utilizada em 2019 para injetar dinheiro no Novo Banco e “ainda assim manter o cumprimento da meta do défice de 2019 que é de 0,2% e ninguém estranharia se a meio da campanha eleitoral surgisse um défice muito perto dos 0%", destacou.

Criticando o executivo por e restringir a um "contexto de gestão de curto prazo das contas públicas", a deputada bloquista condenou a participação "no campeonato europeu para ver quem é que reduz mais a decimazinha, mesmo que essa não seja a exigência dos tratados e das regras europeias".

"Portugal tem ido sistematicamente além das metas pensando que assim credibiliza, porventura, o ministro das finanças e o Governo", acrescentou.

Mariana Mortágua afirmou que “podemos entrar no campeonato europeu da décima, mas não é isso que paga os salários aos funcionários públicos que, neste programa de estabilidade, ainda não têm um salário adequado à inflação”.

“Isso sim seria a reposição da normalidade”, sinalizou.

O programa apresentado pelo Governo não se preocupa, segundo a dirigente do Bloco, em “preparar o país para os investimentos que lhe permitam fazer face às alterações climáticas”, bem como não contempla um investimento adequado na Saúde, e um programa de transição para o emprego qualificado, para o combate à precariedade, para o futuro do país.

"O que temos é um programa sem ambição, um programa que se preocupa única e exclusivamente em cumprir e até ultrapassar a mais ínfima décima e a mais ínfima regra europeia, mas que se preocupa muito pouco em trazer um programa de visão e de ambição para o país, que nos prepare para os enormes desafios que vamos ter no futuro", rematou.

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