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“União Europeia está a preparar ataque às pensões”

No Funchal, Marisa Matias acusou Bruxelas de querer “reduzir a Segurança Social a um sistema de esmolas para pobres”. Para a candidata do Bloco, a austeridade serve “para retirar investimento do Estado Social” e não para equilibrar as contas públicas.
Almoço/Comício no Funchal, Europeias 2019. Foto de Paula Nunes

Num almoço-comício para cerca de 400 pessoas, no Funchal, Marisa Matias destacou a aprovação de um PPR europeu num “negócio à medida do mercados de capitais” para “aliviar a pressão sobre os fundos públicos”.

Querem mesmo ver as vossas pensões nas mãos de banqueiros como Joe Berardo, Ricardo Salgado ou Armando Vara?

O objetivo é, segundo Marisa, muito claro, e pretende “recuperar o sistema financeiro à custa das pensões”, sob “desculpa da falta das poupanças”. Para Marisa, o Produto de Reforma, como é chamado, é “reduzir a Segurança Social a um sistema de esmolas para pobres, empurrando quem pode para produtos privados e quem não pode para a miséria”.

Lembrou Cavaco Silva a defender que a reforma devia ser aos 80 anos e o que aconteceu nos EUA onde “pessoas que trabalharam toda a vida perderam a possibilidade de um dia ter acesso à reforma” e sublinhou que as pessoas já “não confiam, e por boas razões, nos sistemas privados para proteger as suas finanças”. “Querem mesmo ver as vossas pensões nas mãos de banqueiros como Joe Berardo, Ricardo Salgado ou Armando Vara?”, perguntou.

“Temos que nos pôr em riste para dizer que a sustentabilidade da Segurança Social é apenas garantida de uma forma: com trabalho e com direitos”, disse, reafirmando que “queremos que as pessoas tenham melhores salários e melhores pensões”, e não a os “bancos a apostar as nossas contribuições”.

Para Marisa Matias, o voto dia 26 decide um dos lados, se o do bloco central europeu, onde estão PS, PSD e CDS, e que é o lado do sistema financeiro, ou o lado que o Bloco sempre defendeu, que é o lado “de quem trabalha e dos pensionistas”

Catarina Martins: “É preciso mais respeito por quem trabalhou”

Já Catarina Martins lembrou as promessas que PSD e CDS fizeram à União Europeia durante o anterior governo, quando prometeram um ajustamento que “significava um corte de 600 milhões de euros às pensões todos os anos”. Também o PS não fugiu às críticas da coordenadora do Bloco, quando esta explicou que o Partido Socialista “prometia, não os cortes diretos, mas indiretos de congelamento com 250 milhões de euros a serem tirados aos pensionistas a cada ano”.

“É indigno um país por os reformados a escolher entre o jantar e os medicamentos”

Para Catarina Martins foi a política do Bloco e o facto de ter colocado o descongelamento das pensões e a proteção da Segurança Social à cabeça no acordo que foi feito para tirar a direita do Governo, que fez com que hoje existam “condições melhores de acesso à reforma” e que tenha sido feita “um pouco mais de justiça”, apesar de as pensões serem ainda muito baixas.

“É indigno um país por os reformados a escolher entre o jantar e os medicamentos”, afirmou.

A coordenadora do Bloco clarificou que “não chega o caminho que foi feito até aqui e é preciso fazer mais e vamos a estas eleições europeias dizer que é preciso mais respeito por quem trabalhou e proteger as pensões”. “É por isso, que dia 26, votar é proteger as pensões”, concluiu.

O comício no Funchal decorreu na praça do peixe do Mercado dos Lavradores no Funchal e contou igualmente com intervenções de Rui Ferrão e Paulino Ascenção.

 

 

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