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Uma nuvem de fumo maior que toda a União Europeia foi causada pelos fogos no ártico

As alterações climáticas estão a potenciar fogos de grandes dimensões em diversos pontos da região do ártico. Estes duram há três meses, lançando milhões de toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera. A Sibéria é a zona mais afetada tendo sido declarado estado de emergência.
Imagem de satélite da nuvem de fumo na Sibéria.
Imagem de satélite da Nasa da nuvem de fumo na Sibéria. Foto de Antti Lipponen. Flickr.

No ártico, o fogo substituiu o gelo. Nos últimos três meses, esta região tem sido atingida por incêndios de grandes dimensões. De tal modo que a nuvem de fuligem e de fumo que originaram assumiu proporções gigantescas.

No Twitter Annti Lipponen, do Instituto Meteorológico da Finlândia, comparou a área da nuvem de fumo, que tem nesta altura cerca de cinco milhões de metros quadrados, com a área dos países que fazem parte da União Europeia que têm 4,5 milhões de metros quadrados.

Esta nuvem paira sobre a Sibéria e dirige-se ao Alasca.

A série de fogos na zona norte da Rússia, no Alasca, na Gronelândia e no Canadá lançou para a atmosfera 50 milhões de toneladas de dióxido de carbono em junho e 79 milhões de toneladas em julho. E não dá mostras de abrandar uma vez que, nos primeiros onze dias de agosto, fora lançados 25 milhões de toneladas de CO2.

Os meses de junho e julho foram os mais quentes registados nesta zona. Na Rússia, o exército foi mobilizado e o estado de emergência declarado em quatro regiões da Sibéria. A floresta de coníferas local, a taiga, está a ser destruída. Arderam sete milhões de hectares em dois meses, 13 milhões desde o início do ano. E ardem neste momento 4.5 milhões de hectares.

Apesar do fogo não estar perto de grandes cidades, temem-se os efeitos da exposição ao fumo na saúde humana. E os jornais locais referem uma tragédia massiva para a vida selvagem: para além dos habitats queimados, ursos e raposas em fuga procuram desesperadamente comida nas cidades e pequenos animais sufocam com o fumo.

Anton Beneslavskiy, da Greenpeace Rússia, pensa que “estes fogos deveriam ter sido apagados no seu início mas foram ignorados devido a políticas fracas. Agora tornaram-se uma catástrofe climática que não pode ser parada através de meios humanos.”

Este ambientalista e bombeiro voluntário refere-se à designação por parte do governo das chamadas zonas de controlo, as áreas remotas nas quais o governo não é obrigado a combater incêndios. 90% dos fogos estão a lavrar e neste tipo de zonas. A Greenpeace defende que estes fogos poderiam ter sido controlados no seu início se o governo tivesse investido no combate às chamas.

Também na Gronelândia, a frente de fogo assume proporções preocupantes estendendo-se por uma área de 380 quilómetros. Esta semana, um fogo na região de Qeqqata arrasou 6.9 quilómetros quadrados.

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