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“Uma das prioridades tem de ser fazer justiça a quem trabalha”

Em entrevista à CMTV, Catarina Martins apontou que “a maioria absoluta é perigosa”, explicou as propostas bloquistas para o combate à corrupção e sublinhou que “ou há força do Bloco de Esquerda ou não vamos mudar para proteger quem vive do seu trabalho”.
Catarina Martins na entrevista à CMTV afirmou que "maioria absoluta é perigosa"
Catarina Martins na entrevista à CMTV afirmou que "maioria absoluta é perigosa"

Catarina Martins foi entrevistada esta quarta-feira por Octávio Ribeiro na CMTV e, respondendo à pergunta “o que tem contra a maioria absoluta?”, apontou de imediato o risco de “corte nas pensões” e a necessidade de “transparência”, de um “funcionamento mais democrático”. Lembrou ainda que há quatro anos, em 2015, o PS queria congelar as pensões, o que equivalia a um corte.

“Não me parece que o PS queira acabar com a precariedade” ou “que queira alterar a legislação laboral”, criticou a coordenadora bloquista, defendendo que “ou há força à esquerda, ou há força do Bloco de Esquerda ou não vamos mudar para proteger quem vive do seu trabalho”.

Catarina Martins recordou também os abusos no trabalho, no trabalho temporário, nas bolsas, nos estágios, no trabalho por turnos e reforçou a crítica: “estas matérias não constam do programa do PS”.,

“Quem trabalha em Portugal trabalha tanto, é tão esforçado e tem salários tão baixos, horários tão longos, que uma das nossas prioridades tem de ser fazer justiça a quem trabalha”, frisou.

Duas medidas para combater a corrupção

Sobre o combate à corrupção, Catarina Martins recordou que o Bloco propôs, medida que veio a ser aprovada no parlamento, a criação de uma Entidade da Transparência, dependente do Tribunal Constitucional, e não do parlamento, e que vai registar as declarações do registo de interesses, “para saber que conflitos de interesses existem”. “Tem de ter os meios necessários”, sublinhou.

“A transparência da atuação dos partidos e dos titulares de cargos políticos é uma necessidade de reforço da democracia” realçou Catarina Martins, salientando que “o Bloco tem orgulho” que a Entidade das Contas dos Partidos diga que “o Bloco de Esquerda é o único partido que não tem irregularidades”.

Outra proposta que o Bloco propõe é o combate ao enriquecimento injustificado, “que o PCP também propõe” mas outros partidos não. “Se um titular de cargo político, que é obrigado a apresentar as suas declarações de rendimentos, e o seu património aumenta significativamente, então tem de explicar” esse aumento, referiu Catarina Martins, acrescentando que “se não conseguir explicar deve ser taxado a 100%”.

Privados criaram os maiores buracos financeiros”

Sobre a banca, a coordenadora do Bloco de Esquerda afirmou que “privados não geriram melhor, criaram os maiores buracos financeiros”. “Os privados fazem os buracos, os contribuintes pagam e os privados continuam a ganhar dinheiro – isto é uma pouca-vergonha”, frisou e defendeu que “dinheiro injetado pelo Estado deve ser transformado em capital”.

Sobre a Caixa Geral de Depósitos (CGD), Catarina Martins afirmou que “o banco público deve ter plano estratégico aprovado no parlamento”, deve também “ter critérios de serviço público” na sua atuação, nomeadamente em relação às comissões e aos balcões que devem existir, e deve investir na economia produtiva, ajudando a preparar o país para a emergência climática.

Sobre a nacionalização da REN e dos CTT, a coordenadora bloquista salientou que estas empresas quando eram do Estado deram lucro, atualmente dão lucro e voltando para o Estado, voltarão a dar lucro.

Sobre a REN, que está nas mãos do Estado chinês, defendeu que “Portugal tem de nacionalizar o coraçãozinho – a gestão global de sistema” e em relação aos CTT, deve utilizar o fim do contrato para que a empresa retorne para o Estado. O montante necessário para estas operações “é menos de um quinto do que nós colocámos só este ano no Novo Banco”, realçou Catarina Martins.

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