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Uma Casa, uma Causa: “É a partir da habitação que tecemos direitos no território”

A candidata do Bloco à Câmara Municipal de Almada afirmou que “as desigualdades sociais também têm geografia”. Joana Mortágua acusou o executivo de Inês Medeiros de “assistir impávido à especulação imobiliária”.
Joana Mortágua, candidata do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Almada. Foto de Rodrigo Antunes, Lusa.

Durante a apresentação da candidatura autárquica do Bloco em Almada, que decorreu ao ar livre num parque urbano da cidade, Joana Mortágua explicou as razões do slogan “Uma Casa, uma Causa”.

“Aquilo por onde tudo começa é habitação”, apontou Joana Mortágua. “Porque é a partir dela que tecemos direitos no território e porque as desigualdades sociais também têm geografia”, continuou.

A candidata acusou o executivo de Inês Medeiros de “assistir impávido à especulação imobiliária”. “Os preços das casas em Almada continuam a subir e não existe plano para os conter”, criticou. Para Joana Mortágua, “nada garante que não seja este o seu projeto para o concelho”.

O Bloco quer ver garantido o arrendamento acessível e a criação de um programa de arrendamento jovem em Almada.

"PS parece ter abandonado o projeto de expansão do Metro Sul do Tejo"

Na sua intervenção, Joana Mortágua falou sobre “modernidade” e as promessas não cumpridas no que respeita ao Metro Sul do Tejo.

Este processo “começa em 2002, quando Manuela Ferreira Leite e José Luís Cardoso de Menezes Brandão assinaram um contrato que mudaria para sempre o desenho desta cidade. Era uma promessa de modernidade”, lembrou.

De acordo com Joana Mortágua, o contrato assinado entre a ministra de Durão Barroso e o representante da estrutura acionista de uma entidade concessionária composta pela Barraqueiro, Teixeira Duarte, Sopol, Mota-Engil, Meci e pela Siemens “deu origem a uma das PPP mais ruinosas da sua época: o Metro Sul do Tejo”.

“Por esse investimento que era tão necessário, as entidades públicas, ou seja, nós, garantimos à cabeça 284 milhões de euros. E a entidade concessionária, basicamente, pagou os comboios, por 55 milhões de euros. Ou seja 16% do investimento inicial”, referiu a candidata.

“A obra lá se fez, mas o metro atrasou-se. E em vez de o metro chegar em 2005, começou a circular só em 2008. Por causa desse atraso, pagámos mais 77.5 milhões de euros à concessionária privada”, acrescentou Joana Mortágua.

“Estava então concluída a primeira fase do Metro Sul do Tejo. E daí nunca passou a nossa prometida modernidade”, afirmou a dirigente bloquista, realçando que sobre esse negócio “é preciso dizer mais duas coisas”.

“O contrato poupava os privados de todos os riscos e obrigava o Estado, ou seja, nós, a indemnizá-los sempre que o número de passageiros não atingisse determinado limite”, algo que era muito difícil de concretizar. “O número de passageiros ficou sempre aquém e todos os anos pagamos uma renda à empresa Barraqueiro”, lamentou.

Acresce que, “depois de duas décadas e mais de 500 milhões de euros” investidos num projeto lançado quando a CDU era poder, Maria das Dores Meira sugeriu, na apresentação da sua candidatura, “fazer tudo de novo e enterrar o metro”.

“Tenho a certeza que há melhor destino melhor para aqueles milhões do que enterrá-los”, vincou Joana Mortágua.

Foto de Rodrigo Antunes, Lusa.

“Os almadenses são credores de modernidade”

A candidata recordou que, “ao contrário do foi prometido, o metro nunca chegou ao Barreiro e nunca passou da Universidade”.

“Não só pagámos um preço exorbitante como nos ficaram a dever na tal modernidade (…). Os almadenses são credores de modernidade”, frisou.

Enfatizando que, ao longo dos anos, foi utilizada a justificação de que existiriam desentendimentos entre os executivos local e nacional, Joana Mortágua apontou que “quatro anos de sincronia partidária entre a autarquia e o governo também não chegaram para resolver o problema”.

“O PS parece ter abandonado o projeto de expansão do Metro Sul do Tejo ao arco ribeirinho sul”, lamentou.

“Vamos trabalhar para um concelho inclusivo e desenvolvido em colaboração com a população”

José António Rocha, cabeça de lista à Assembleia Municipal de Almada, lembrou as várias propostas do Bloco aprovadas no atual mandato, e que permitiram “melhorar a vida das e dos almadenses”.

Por outro lado, o candidato lamentou que algumas medidas tenham “esbarrado contra a parede da maioria PS e PSD”.

Sublinhando que o mandato do Bloco foi marcado por “conquistas e avanços”, José António Rocha afirmou, no entanto, que “são muitas as lutas que temos pela frente”.

Em causa estão “problemas herdados do mandato CDU”, como é o caso do abandono das zonas históricas, a existência de pessoas a habitar em condições indignas e a carência de oferta de transportes públicos.

Para o candidato bloquista, o mandato do executivo camarário não teve orientação, e esteve pejado de “projetos amigos da especulação imobiliária e gentrificação do concelho”.

“Vamos trabalhar para um concelho inclusivo e desenvolvido em colaboração com a população”, vincou.

José António Rocha deixou claro o propósito do Bloco: “Queremos um concelho com mais qualidade de vida, com mais direitos, com mais e melhores serviços públicos, com habitação digna para todas as pessoas, pela eco sustentabilidade do território e por mais e melhores empregos”.

E o Bloco continuará a desenvolver a sua ação “em várias frentes sempre na defesa de quem aqui vive, estuda e trabalha”, garantiu.

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