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Um terço das vagas para médico de família sem candidatos

Das 113 vagas abertas para concurso para novos médicos de família, só 73 foram ocupadas. Os dados datam de dezembro de 2018.
Fotografia de Paulete Matos
Fotografia de Paulete Matos

A maior fatia de vagas por ocupar encontra-se na região de Lisboa e Vale do Tejo, com 15 vagas. É ainda nesta zona que há mais utentes sem médico de família – mais de meio milhão. De acordo com o JN, Rui Nogueira, da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, considera que a quantidade de especialistas colocados era “expectável”, uma vez que pouco mais de 90 médicos terminaram em novembro a especialidade em Medicina Geral e Familiar. O número de vagas, considera, foi superior porque o Ministério da Saúde pretendia atrair especialistas a exercer fora do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o que não está a acontecer.

O médico considera ainda que o problema são as vagas que ficam sistematicamente por preencher, o que tem acontecido nas regiões do Algarve e do Alentejo e em algumas zonas de Lisboa.

Em Setúbal, os dois lugares a concurso no Centro de Saúde São Sebastião ficaram por preencher, da mesma forma que, no concurso anterior, ficaram livres as nove posições ali oferecidas. Rui Nogueira considera que a solução poderia passar pela abertura de concursos específicos para as zonas com maior dificuldade em recrutar profissionais.

Já João Proença, presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), e ainda de acordo com o JN, afirma que “a motivação não é só económica”, já que a falta de condições de trabalho, organização, formação e progressão na carreira “faz com que as pessoas pensem três ou quatro vezes” antes de se candidatarem.

No seu entender, a falta de médicos nos centros de saúde faz com que os utentes acabem por ter de recorrer às urgências dos hospitais.

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