Em 2005, o executivo PSD da Câmara de Municipal de Barcelos concessionou por 30 anos a gestão das águas e saneamento do concelho à empresa Águas de Barcelos.
Desde então, os problemas têm-se sucedido: a qualidade dos serviços é deficitária, a rede de saneamento não foi alargada como deveria, pelo que 29 freguesias do concelho não têm acesso a saneamento, sendo obrigadas a recorrer a fossas. Esta situação já levou a população a efetuar diversos protestos, entre os quais boicotes a atos eleitorais.
José Maria Cardoso, deputado do Bloco de Esquerda eleito pelo distrito de Braga e membro da Assembleia Municipal de Barcelos, considera que esta concessão é um crime de gestão pública.
Neste momento, o executivo camarário do PS prepara-se para entrar na gestão da Águas de Barcelos, adquirindo 49% do seu capital, uma decisão que José Maria Cardoso contesta: “somos favoráveis à remunicipalização do serviço e não pela entrada da Câmara no capital da empresa. Que fazer com 49%? Assumir os prejuízos?”, questiona o deputado.
José Maria Cardoso refere também que a inexistência de saneamento faz com que o despejo das fossas seja muitas vezes efetuado “nos campos de cultivo ou até na rede de águas pluviais, o que põe em causa a saúde pública”.
“A água não é um produto ou serviço a mercantilizar. Só uma gestão pública pode ser racional e socialmente equilibrada”, conclui José Maria Cardoso.
O concelho de Barcelos, situado no distrito de Braga, tem mais de 120 mil habitantes distribuídos por 61 freguesias.