A coordenadora do Bloco frisou que, quando o Partido Socialista apresentou o programa eleitoral, o documento, “já ignorava o que estava a acontecer do ponto de vista global, e também em Portugal”, no sentido que, “após o confinamento da pandemia, com a retoma de atividade, houve uma pressão enorme inflacionista sobre vários preço, desde logo os combustíveis”.
“Estranhamente, o programa do PS ignorava a realidade”, afirmou Catarina Martins.
“Agora, meses depois, com uma situação em que há uma guerra na Europa, e em que o ciclo de inflação e de aumento de preços dos bens essenciais é claríssimo, o PS apresenta um programa de governo igual ao programa eleitoral que já estava desatualizado”, continuou.
Para a dirigente do Bloco, “um programa de Governo que não compreende a realidade do país, a dificuldade que as pessoas têm de, com os seus salários baixos e as suas pensões baixas”, fazerem face às despesas do dia a dia neste “ciclo que se está a iniciar e de “abrupto aumento de preços”, é “um programa de governo que não serve o país”.
“Aquilo que nós esperávamos ver é o que o Governo vai fazer face ao que está a acontecer”, apontou Catarina, enfatizando a necessidade de garantir o acesso à habitação, alimentação e bens essenciais.
De acordo com a coordenadora bloquista, “o que não é possível fazer é ignorar o que está a acontecer, e é isso que faz o programa do Governo”.
Catarina sublinhou a urgência de “assumir a dificuldade do país” e de atualizar já este ano salários e pensões face à inflação que se está a sentir, evitando que “as pessoas vivam muito pior nos próprios anos”. E apontou também que “agir sobre a formação de preços e ter tetos máximos para preços fundamentais era a resposta que se esperava que o Governo agora tivesse”.
A dirigente do Bloco considera que não faz sentido que o IVA da energia se mantenha à taxa máxima, e expressou a sua incompreensão face ao facto de “o Governo não ser capaz de atuar nem ter nenhuma proposta nem para que os salários e as pensões possam acompanhar a inflação que se está a fazer sentir nem para controlar os preços especulativos que neste momento tornam a vida impossível para quem vive com salários médios em Portugal”.