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“Um país que se leva a sério preocupa-se com sustentabilidade ambiental e serviços públicos”

Em Faro, Marisa Matias disse não aos planos de investimentos que deixam pessoas para trás, aos furos no Algarve e traçou o caminho de combate às alterações climáticas com base no protocolo climático assinado com outros partidos europeus da plataforma Agora o Povo.
Marisa Matias em Faro. Foto de Paula Nunes.

Marisa Matias encerrou o segundo dia de campanha no Algarve, num jantar-comício em Faro, ao lado dos candidatos José Gusmão e Helga Viegas e do deputado João Vasconcelos. Após uma viagem de comboio até Beja, durante a manhã, e ter reunido com bombeiros e população em Monchique durante a tarde, o seu discurso centrou-se precisamente nas questões da mobilidade e dos incêndios, destacando sempre a importância do combate às alterações climáticas.

A viagem de comboio no interior alentejano teve, segundo Marisa Matias, o propósito de mostrar uma linha que não faz parte das que estão a ser requalificadas e que, tal como em grande parte do país, o interior é excluído destes investimentos onde o que conta é “aquilo que pode ser feito com parcerias público-privadas e que tenha rentabilidade”, não tendo “nada a ver com serviço público” nem “com servir as populações e as suas necessidades” ou por “um território mais igual”, disse, referindo-se ao Plano Juncker. “Nós fizemos esta linha para mostrar que o país que se leva a sério, uma União que se leva a sério, não deixa ninguém para trás quando escolhe os seus investimentos, não impede investimento público quando ele é mais necessário. Um país que se leva a sério é um país que se preocupa com a sustentabilidade ambiental e com os serviços públicos”, explicou.

Para Marisa Matias, a defesa dos serviços públicos, o combate às alterações climáticas e a defesa do emprego com direitos “são três eixos fundamentais que cruzam todas as políticas” e que exigem “ir ao encontro das pessoas e daquilo que são os problemas que estão por resolver”.

Referindo-se à visita que fez à freguesia de Alferce, concelho de Monchique, e contacto que teve com pessoas que perderam as suas casas, explicou que “depois da tragédia, como se não bastasse, tiveram que enfrentar uma parede de burocracia”, numa alusão aos vários casos em que “sobrou em burocracia aquilo que faltou em fiscalização efetiva dos fundos que foram dedicados a estas populações”. A candidata europeia salientou uma proposta do Bloco que irá ser apresentada em breve na Assembleia da República e que “tem a ver com a necessidade para que estes procedimentos tenham de ser simplificados e tenham de ser reabertas as candidaturas para que estas pessoas, que não viram os seus direitos mínimos garantidos, possam ainda ter direito” a eles.

De igual forma, defendeu uma maior complementaridade entre os fundos nacionais e os fundos europeus, nomeadamente através de um reforço substancial do montante do Fundo de Solidariedade, além da necessidade de uma maior celeridade em todo o processo para atender às “necessidades que as pessoas enfrentam”. Como exemplo, referiu-se a vitimas dos incêndios de Pedrogão, onde ainda há pessoas à espera desses fundos, que ainda assim “nunca chegam para cobrir os prejuízos”. No caso de Pedrogão, “fundos europeus que foram dedicados à tragédia provocada pelos incêndios, corresponderam a 3,5% do total dos prejuízos”, lamentou.

Para Marisa Matias é necessária uma “solidariedade persistente contra a política do esquecimento”, e de “estar à frente quando o momento é de fazer chegar a ajuda a quem precisa de ajuda” seja a vitimas de incêndios, como o foram em Pedrogão Grande e Monchique, ou outros fenómenos mais extremos que se vão tornando mais frequentes por via das alterações climáticas. Marisa identificou ser também por essa razão que o Bloco se opõe aos furos, criticando “a direita que furou as nossas carteiras e quer agora furar o Algarve”. No entanto, Marisa vê aqui não só uma emergência dado que “a extensão da nossa costa e a exposição solar colocam-nos numa situação de contexto de risco maior” mas também de oportunidade pois “o país tem também recursos extraordinários para promover as políticas imprescindíveis no domínio da transição energética, da soberania alimentar e da mobilidade”.

“A questão não é se é possível implementar uma política económica de desenvolvimento e assente na criação de emprego com qualidade em resposta às alterações climáticas, a questão é se é possível não a implementar”, frisou.

A este propósito, destacou o protocolo climático que o Bloco assinou com outros partidos europeus que compõem a plataforma Agora o Povo, um protocolo “que aposta em zero de financiamento público para os combustíveis fósseis, que aposta no redirecionamento desse investimento para as energias renováveis, que aposta nos transportes coletivos e em particular na ferrovia, que aposta na ajuda climática aos países mais pobres” e que “aposta numa agricultura sustentável e em circuitos curtos de distribuição” e garantiu que esta será uma luta constante que travará todos os dias do próximo mandato.

José Gusmão: “Queremos fazer a pedagogia da importância que o debate sobre a Europa tem para o quotidiano da vida das pessoas”

José Gusmão em Faro. Foto de Paula NunesPara José Gusmão, segundo candidato do Bloco às Europeias, o debate sobre a Europa não pode ser “um chorrilho de abstrações, de diretivas e de relatórios que ninguém consegue muito bem perceber o que tem a ver com as nossas vidas”, optando antes pela “pedagogia da importância que o debate sobre a Europa tem para o quotidiano da vida das pessoas”, seja na saúde, educação, direitos do trabalho, ambiente ou no “maior desafio das nossas vidas que é o desafio das alterações climáticas”.

O dirigente bloquista teceu ainda duras críticas à direita ao entender que esta não só não tem um discurso para a Europa como não tem um discurso para o país. “A única coisa que tem para oferecer ao país é um regresso ao passado e uma política de troika sem a troika”, considerou. José Gusmão foi ainda mais longe ao acusar a direita de usar “a intervenção da troika em Portugal para fazer uma vingança contra os direitos sociais que foram construídos pela esquerda neste país, para atacar o sistema nacional de saúde, à qual a direita sempre de opôs e que quer continuar a destruir no debate sobre a lei de bases saúde” , do ataque aos direitos do trabalho, ainda mais depois de décadas de precarização das relações de trabalho, ao ataque a todas as políticas públicas que fazem a nossa coesão territorial e a nossa democracia”.

 

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