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Um ano após os incêndios, “arrancar os eucaliptos tem de ser uma prioridade”

Catarina Martins visitou esta segunda feira as áreas ardidas nos incêndios de outubro de 2017 na região de Lafões. E verificou que se nada for feito quanto ao crescimento desordenado dos eucaliptos, “teremos uma paisagem ainda mais perigosa do que aquela que tínhamos há um ano”.
Catarina Martins visitou as áreas afetadas pelos incêndios de outubro de 2017 na região de Lafões. Foto esquerda.net

Na visita a várias zonas devastadas pelos incêndios de outubro do ano passado, Catarina Martins chamou a atenção para o que salta à vista: “os eucaliptos estão a crescer de forma desordenada e estão a fazer um tapete nesta paisagem”.  

“Temos mesmo que aprender com as tragédias e não passar ano após ano a dizer que é grave mas não alterar profundamente os problemas da paisagem”, acrescentou Catarina, sublinhando que “arrancar os eucaliptos tem de ser uma prioridade”.

“Se nada for feito, teremos uma paisagem ainda mais perigosa do que aquela que tínhamos há um ano”, avisou a coordenadora do Bloco, lembrando que o partido tem um projeto de lei já entregue no parlamento “para que haja apoios para arrancar os eucaliptos e plantar floresta autóctone”.

“Não podemos exigir às pessoas que aqui vivem, depois de tudo o que passaram, que vão elas sozinhas tratar da paisagem, arrancar os eucaliptos, tornar o país mais seguro. Não pode ser. É preciso apoio efetivo à floresta”, defendeu Catarina Martins no final da visita à Reserva Botânica em Cambarinho, acompanhada pelo presidente da Câmara de Vouzela.

Um ano após os incêndios, “há pessoas que ainda aguardam a reconstrução daquilo que perderam, e isso é urgente”, prosseguiu Catarina, elencando outras duas prioridades: o apoio à agricultura informal e familiar, porque “quando as terras ficam abandonadas, o risco de incêndio aumenta”; e o apoio à produção florestal e ao escoamento da madeira.

Revitalizar o interior do país é uma tarefa difícil e que contraria o que têm sido as políticas de muitos anos, argumentou a coordenadora bloquista. “O interior precisa de gente. Estamos num ciclo vicioso de degradação dos territórios e abandono das populações e não podemos assistir passivamente, precisamos de políticas ativas”, defendeu Catarina.

“Não esquecemos os anos e anos de encerramento dos serviços públicos em todo o interior. A política que foi seguida de concentrar os serviços onde havia gente, o que fez foi esvaziar o território”, lembrou Catarina. Para contrariar essa trajetória de políticas, “é preciso reconstruir a rede de serviços públicos, que é a primeira forma de ter emprego e gente nestas regiões. Mas também é preciso apoiar a agricultura familiar e a produção florestal, quem está aqui hoje. Hoje não existem políticas ativas para o interior”, repetiu, lamentando que o poder político e o conjunto da sociedade ainda não tenha compreendido que “as questões do território e as questões climáticas são as questões estratégicas mais importantes que o nosso país tem pela frente”.

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