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“União Europeia está na mão de irresponsáveis”

Marisa Matias critica “festival de hipocrisia” de PS, CDS e PSD, que todos os anos aprovam o orçamento comunitário, e considera que este é o retrato de uma Europa que, depois de terminada a campanha, se volta a juntar “para que tudo fique na mesma e para que nada mude”.
Marisa Matias em mega-almoço em Lisboa, Europeias 2019. Foto de Paula Nunes.

Num mega-almoço em Lisboa (ver fotogaleria) para mais de um milhar de pessoas, Marisa Matias afirmou estar nesta campanha para discutir a Europa, contrariando “os dirigentes do bloco central europeu que dizem que a Europa é um sucesso". “Os povos da Europa estão fartos de contos de fadas”, afirmou.

“Aos irresponsáveis que estão a destruir a Europa” explicou que quando critica “o fecho de uma estação de correios numa aldeia”, quando apela a “um entendimento para acabar com a promiscuidade entre o público e o privado no Serviço Nacional de Saúde”, quando defende a escola pública e a educação, quando fala “dos cuidadores informais ou de quem trabalha por turnos” e “ das pessoas que puseram a dignidade na agenda daquilo que tem sido o ataque ao trabalho”, é da Europa que está a falar, frisando que “esta é a Europa de que falo porque é nesta Europa e nesta terra que escolhemos lados”.

Marisa Matias afirma que o seu lado é dos “jovens que não suportam o silêncio do negócio poluente e que sabem a urgência da greve climática para salvar o planeta”, dos “trabalhadores que defendem os salários e as reformas e que não aceitam a restrição das suas vidas como uma regra” e das “esquerdas europeias que não aceitam os tratados que empobrecem a nossa gente”.

“A União Europeia tem estado na mão de aprendizes de feiticeiros e de absolutos irresponsáveis”, que “empobreceram quem trabalha, quiseram tirar o futuro aos jovens, cortaram nos direitos de quem trabalhou toda a vida, em nome da austeridade e nem sequer tentaram disfarçar os rios de dinheiro que ia para a finança”, lamentou, sublinhando que o Bloco “se empenhou na aliança europeia das lutas que recusam a corrida para o abismo e para o ódio, porque somos parte desta força que ameaça os velhos jogos em nome do nosso futuro comum”.

“Este é ainda o tempo da esperança”, concluiu.

Catarina Martins: “Bloco está a defender o país do assalto que o sistema financeiro tem feito”

Por sua vez, a coordenadora do Bloco destacou o trabalho que o Bloco tem feito no Parlamento Europeu, com Marisa Matias, e que passa pela defesa do trabalho, do salário, do emprego, dos serviços públicos, do investimento, e para defender do país do “assalto que o sistema financeiro tem feito”. Assim, defendeu uma Europa que seja capaz de pôr fim às “imposições contra quem trabalha, para podermos ter uma Europa da cooperação pelos direitos humanos e pela reconstrução ecológica”. Catarina deixou o apelo a "quem confiou no Bloco de Esquerda em 2015, quem votou na Marisa Matias em 2016", para que "no dia 26 de maio não fique em casa" e vá votar "na Marisa Matias, campeã do clima, a campeã dos direitos humanos, a campeã na luta contra o privilégio, a campeã da luta por quem trabalha".

Mariana Mortágua: “Berardo é o retrato de uma elite mesquinha e dependente”

Mariana Mortágua referiu-se ao “fantasma real” que atravessou Portugal esta semana, afirmando que, no caso Berardo, o mais importante é “o dinheiro e o poder que a história revela”.

Para a deputada do Bloco, “Berardo é o retrato de uma elite mesquinha e dependente, que tomou conta dos bancos, e que depois usou o crédito e porta giratória para abocanhar a energia, as telecomunicações, as infraestruturas e os cimentos”. “Desde Cavaco Silva, estes foram os donos disto tudo, mestres de obras feitas que enriqueceram na especulação, nas PPPs, nas rendas e no Estado. Fizeram do país o seu quintal, apesar de tantos terem residência na Holanda e contas na Suíça ou nas Ilhas Caimão”, continuou.

“Hoje os donos disto tudo podem ser outros mas é ao fundo Lone Star que pagamos o antigo BES, como pagámos ao Santander o BANIF e é ao mesmo Mexia, agora empregado do Estado chinês, que pagamos as rendas da energia. Uns são mais requintados, outros mais boçais, mas todos são Berardos”, rematou.

Pedro Filipe Soares: PSD, CDS e PS querem esconder as suas alianças europeias “porque cá prometem diferente”

O líder parlamentar do Bloco comentou as críticas sobre a falta de um debate europeu nestas eleições, considerando que essas afirmações não correspondem à realidade: “quando olhamos para PSD e CDS e vemos que na Europa dão a mão a quem queria em Portugal impor sanções ao nosso país e às escolhas do nosso povo, ou quando olhamos para António Costa na mesma fotografia que Macron, respondemos: não falta debate europeu. O que eles querem é esconder em Portugal as fotografias das suas alianças europeias porque cá prometem diferente ao nosso povo”.

Miguel Martins: “No que toca à emergência climática, os jovens parecem ser dos poucos adultos nesta sala global”

Ao candidato mais jovem da lista do Bloco coube a intervenção de abertura deste mega-almoço. Miguel Martins lembrou a escassa participação dos jovens nas últimas eleições europeias e apelou ao voto, considerando que “mais do que um direito, é a chave para o nosso futuro". E referiu-se aos que acusam  os mais jovens de não se interessarem por política. "Eu digo que isso não é verdade. A Greve Climática Estudantil é um exemplo disso. No que toca à emergência climática, os jovens parecem ser dos poucos adultos nesta sala global”, afirmou o ativista estudantil, reafirmando o compromisso da candidatura bloquista às europeias “por uma transição energética para salvar o planeta”.

“É o Bloco que está ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras na luta contra a precariedade, que está ao lado das mulheres que saem à rua na greve feminista, que está na vanguarda da luta pelos direitos LGBT. É a nossa força que faz frente ao crescimento da extrema-direita na Europa, impondo um travão às suas políticas racistas e xenófobas e garantindo que não retrocedemos nos direitos que conquistamos”, concluiu Miguel Martins.

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