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Tsipras: "Queremos uma Europa dos povos e não dos mercados"

No Parlamento Europeu em Bruxelas, a presença de Alexis Tsipras confrontou os candidatos pela perpetuação da austeridade. Os milhões de espectadores ouviram, pela primeira vez, uma voz crítica às contradições dos monólogos das famílias políticas europeias do Partido Socialista Europeu (PS) e o Partido Popular Europeu (PSD e CDS-PP).

“O meu nome é Alexis Tsipras e sou de um país que se tornou a cobaia da austeridade”, assim iniciou a sua intervenção o candidato da Esquerda Europeia durante o debate com os outros candidatos à presidência da Comissão Europeia.

O dirigente da Syriza, apelou a uma “Europa dos povos e não dos mercados”, e defendeu um “new deal” europeu para romper com as políticas de austeridade e com a obsessão da disciplina fiscal e para centrar as políticas de desenvolvimento em torno das pessoas.

Apesar dos constrangimentos com o tempo e com a estrutura do debate, o discurso do representante da Esquerda Europeia destacou-se, pela denúncia do falhanço das medidas da austeridade e pelas alternativas propostas. As questões colocadas por Alexis Tsipras a Jean-Claude Juncker (PPE) e a Martin Schulz (PSE) não foram respondidas enquanto Guy Verhofstadt, candidato dos Liberais entrou em debate com o dirigente Grego.

A economia, a crise da dívida e o massacre do desemprego foram os temas que dominaram o debate, oferecendo a oportunidade a Alexis Tsipras para expor as propostas da Esquerda Europeia. Mas o debate abrangeu outros temos como a crise na Ucrânia, as liberdades individuais e religiosas, corrupção na Europa, os independentismos (com particular destaque à Escócia e a Catalunha), a indiferença das pessoas perante as eleições europeias, o futuro da Europa e a política de imigração europeia e as lampedusas que a Europa provoca.

“Um new deal, para o crescimentos com solidariedade social”

Alexis Tsipras clarificou o papel desastroso das políticas de austeridade que não conseguiram resolver o problema do desemprego.

Durante o debate, o candidato da Esquerda Europeia questionou a vontade política da Europa querer resolver a tragédia social, quando atribui 1 bilião de euros aos bancos mas só dá 6 mil milhões para combater o desemprego.  Tsipras frisou que na europa é preciso tomar decisões audazes “com um new deal europeu, um new deal que irá abrir o caminho à solidariedade, à coesão social e à democracia”. 

Reiterou que para a Grécia e a Europa saírem da crise, é necessário uma conferência europeia sobre a dívida e desenvolver uma cláusula para reestruturar a dívida como foi feita à Alemanha em 1953.

“A Europa ou continua com mais democracia, ou a visão de uma Europa democrática e unida irá desfazer-se”, disse Tsipras na sua última intervenção. Reiterou ainda que as soluções propostas pelos partidos do bloco central são o caminho para o impasse económico e social. “Queremos que os cidadãos decidam por referendo. Queremos limpar a troika, a catastroika, das instituições europeias"

“É preciso uma solução global para aliviar a dívida. Senão vamos ter dívidas à própria dívida” disse Alexis Tsipras.

Alexis Tsipras perguntou a Juncker e Schulz que aconteceu nos corredores do poder para “substituir um governo por tecnocratas”. “Porque é que deve ser o senhor a decidir e não o voto do povo a decidir quem será o governo na Grécia?” . Não recebeu resposta.

“A Europa ou continua com mais democracia, ou a visão de uma Europa democrática e unida irá desfazer-se”, disse Tsipras na sua última intervenção. Reiterou ainda que as soluções propostas pelos partidos do bloco central são o caminho para o impasse económico e social. “Queremos que os cidadãos decidam por referendo. Queremos limpar a troika, a catastroika, das instituições europeias”.

Jean-Claude Junker defendeu a disciplina fiscal e disse que ele tinha feito tudo ao seu alcance “para que a Grécia não saísse da zona euro”. Martin Schulz repetiu várias vezes que o desemprego é um “problema sério” sem nunca ter mencionado as suas causas. 

O candidado dos Liberais, Guy Verhofstadt, argumentou que “crescimento sem disciplina fiscal não existe” e referiu o “problema da dívida” que os países do sul enfrentam. Para Verhofstadt as crises da dívida localizam-se somente a sul da Eruopa.

Por último, a candidata dos Verdes, Ska Keller focou as suas propostas na “energia verde” como a forma mais eficaz de desenvolvimento e atenuar a austeridade.

De acordo com a monotorização que foi feita nas redes sociais (facebook e Twitter), o candidato da Esquerda Europeia, Alexis Tsipras, foi o que obteve um resultado de 86% de opiniões positivas, seguido por Schulz com 63% e Juncker com 61%.

 

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