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Tsipras derrotado na Grécia

O partido tradicional da direita grega, a Nova Democracia, conquistou a maioria absoluta nas eleições legislativas deste domingo. Tsipras respondeu ao resultado considerando foi “uma derrota estratégica” e que se “vai voltar a levantar”. Apresentamos aqui a nova relação de forças no parlamento grego.
Alexis Tsipras na conferência de imprensa em que reconheceu a derrota eleitoral
Alexis Tsipras na conferência de imprensa em que reconheceu a derrota eleitoral. Foto de Kostas Tsironis. EPA/LUSA

A Alexis Tsipras segue-se Kyriakos Mitsotakis, um político vindo de uma das famílias que tradicionalmente dirigem a política grega e que prometeu cortar impostos, aumentar o investimento, criar empregos mas despedir funcionários públicos.

A derrota do Syriza vem depois de quatro anos de aplicação de um duro programa de ajustamento estrutural ditado por Bruxelas e que tinha sido rejeitado nas urnas em referendo pelos gregos. Tsipras acabou por aceitar o programa governando com o terceiro plano de austeridade consecutivo no país. Terminado o programa, a austeridade permanece com o país ainda sob vigilância das instituições da União Europeia. Ficou assim por cumprir a promessa de 2015 de libertar o país desta via.

No seguimento da derrota, o ex-Primeiro-Ministro, declarou que os gregos o conhecem e que “se vai voltar a levantar”. Garantiu ainda que “das bancadas da oposição estaremos presentes para proteger os interesses do povo com esforço e criatividade” e que se tratou “apenas de uma derrota estratégica” devida às “decisões difíceis” a que foi obrigado

A Nova Democracia alcançou nestas eleições cerca de 40% dos votos, mais do que duplicando a anterior representação parlamentar do partido com 158 deputados. Este número de eleitos deve-se ao facto de ter beneficiado do "bónus" de cinquenta deputados que o sistema atribui ao vencedor. Tsipras tinha eliminado esta particularidade do sistema eleitoral grego mas a eliminação não valeu ainda para este momento eleitoral. Umas eleições que, aliás, aconteceram mais cedo do que o previsto: foram antecipadas na sequência da derrota de Tsipras em 26 de maio nas eleições para o Parlamento Europeu e autárquicas.

Depois destas eleições, o parlamento grego vai passar a ser constituído por seis partidos. Para além da Nova Democracia e do Syriza, que perdeu 59 deputados, estreia-se nesta assembleia o “Movimento pela Mudança”, com 22 deputados, o partido Comunista da Grécia mantém os 15 deputados e há mais dois estreantes: a “Solução Grega” obtém dez lugares e o MeRa25 9.

Apesar das estreias de vários nomes de partidos e coligações, os resultados mostram que persistem algumas figuras na política grega. O “Movimento pela Mudança” é uma aliança do velho PASOK e do Kidiso, uma dissidência deste partido criada em 2105. Dois outros movimentos de esquerda ainda se juntaram a esta formação no seu início mas saíram: o To Potami, que saiu sob o pretexto da crise política que envolveu a aceitação do nome de Macedónia do Norte para o país vizinho, escolheu ir a votos nas europeias e, derrotado, não se candidatou às legislativas; e o Dimar que, por sua vez, decidiu juntar-se ao Syriza.

A “Solução Grega” é um movimento de direita populista pró-russo surgido a partir de um ex-dirigente do LAOS. O MeRa25 é o partido do famoso ex-Ministro das Finanças Varoufakis.

O partido de extrema-direita Aurora Dourada é um dos grandes perdedores da noite. Tinha 18 lugares mas agora desaparece por completo do parlamento.

À esquerda, Frente Popular Unida, Antarsya e Poder Popular não chegam ao parlamento com votações de 0,5%, 0,41% e 0,28 respetivamente.

Apenas 57,9% dos gregos foram às urnas este domingo. Um número que é o mais baixo desde 1974.

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