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Trump responde a Macron: “Ninguém precisa mais da NATO do que a França”

Os 70 anos da NATO são assinalados numa cimeira em Londres marcada por divisões entre os membros. Turquia ameaça bloquear decisões se não tiver apoio na repressão aos curdos.
O secretátio-geral da NATO Jens Stoltenberg com Donald Trump em Londres antes da cimeira. Foto NATO.

Depois de ter declarado a NATO em “morte cerebral”, o presidente francês Emmanuel Macron viu o seu homólogo turco acusá-lo de ser ele que está em morte cerebral. Erdogan reagiu assim às críticas vindas de França em relação à operação militar que desencadeou contra os curdos na Síria. O governo francês considerou as afirmações de Erdogan um “insulto” e chamou o embaixador turco em Paris a dar explicações.

A Turquia colocou-se no centro das atenções da cimeira da aliança militar que tem início esta terça-feira em Londres. O regime de Erdogan ameaça bloquear o reforço da presença militar da NATO na zona do Báltico se não tiver o apoio dos restantes estados-membros à sua política de criminalização da resistência curda, que combateu no terreno o Estado Islâmico no norte da Síria com o apoio dos EUA.

“Se os nossos amigos da NATO não reconhecerem como organizações terroristas aqueles que nós consideramos serem organizações terroristas… estaremos contra qualquer passo que queiram dar” no plano de reforço militar na Polónia, Lituânia, Letónia e Estónia, afirmou Erdogan, citado pela BBC.

Ao mesmo tempo que lança operações militares unilaterais contra os curdos, a Turquia fechou um negócio de aquisição de um sistema de defesa aéreo à Rússia, uma situação inédita para um dos países militarmente mais relevantes da NATO.

Foi com este pano de fundo que Donald Trump não demorou a escolher o lado da questão logo na sua chegada a Londres. O presidente norte-americano atacou as declarações de Macron a propósito dos impasses na NATO, acusando-as de serem “desagradáveis, desrespeitosas e muito insultuosas”.

Como é habitual, Trump aproveitou para fazer uma escalada na retórica, afirmando que punha a hipótese de ver a França abandonar a NATO e tecendo considerações sobre a situação económica do país e as dificuldades do governo francês face ao desemprego e à contestação social.

“Ninguém precisa mais da NATO do que a França… os EUA são os que menos beneficiam”, insistiu Trump, que tem em marcha um braço de ferro com Paris por causa do recém-aprovado imposto francês sobre as grandes empresas tecnológicas. Na véspera da cimeira da NATO, Washignton fez saber que prepara um pacote de tarifas sobre produtos franceses como o vinho e queijos no valor de cerca de 2.600 milhões de euros.

“Não está certo que tirem proveito da NATO e depois tirem também proveito no comércio, que é o que está a acontecer. Não vamos deixar que isso aconteça”, afirmou Donald Trump já esta terça-feira em Londres, dirigindo-se aos países da União Europeia.

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