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Trump elimina entraves ambientais à indústria do carvão

Em concreto, o que Trump assinou consiste numa ordem para que a Agência de Proteção Ambiental [EPA - Environmental Protection Agency], precisamente a agência criada para desenvolver políticas ambientais, dê agora início ao processo de reverter um programa lançado por Obama, o Clean Power Plan (Plano de Carbono Limpo) que, alegadamente, teria obrigado ao encerramento de centenas de centrais de energia com base em carvão, e substituído por projetos de energia solar e eólica. 
Emissões de central de energia em New Jersey, por Justin Lane, EPA/Lusa
Emissões de central de energia em New Jersey, por Justin Lane, EPA/Lusa

Acompanhado por vários industriais e representantes da indústria mineira, o Presidente dos EUA, Donald Trump, assinou hoje uma ordem executiva onde elimina os esforços para diminuição das emissões de carbono. Simultaneamente, retira os limites ambientais à indústria do carvão que fica assim livre de aumentar as emissões. 

Em concreto, o que Trump assinou consiste numa ordem para que a Agência de Proteção Ambiental [EPA - Environmental Protection Agency], precisamente a agência criada para desenvolver políticas ambientais, dê agora início ao processo de reverter um programa lançado por Obama, o Clean Power Plan (Plano de Carbono Limpo) que, alegadamente, teria obrigado ao encerramento de centenas de centrais de energia com base em carvão, e substituído por projetos de energia solar e eólica. 

O plano energia limpa de Obama era a peça central para gara¬ntir a redução de 26% das emissões em 2025 tal como previsto nos Acordos de Paris. 

Durante a campanha, Trump reproduziu a retórica já conhecida do Partido Republicano onde políticas ambientalistas são inimigas do emprego e desenvolvimento económicos, apesar da incongruência do argumento. 

O compromisso dos EUA era essencial para que os Acordos de Paris tivessem alguma hipótese de sucesso em evitar um aquecimento desastroso do planeta. Assim, os acordos estão efetivamente mortos, apesar da vontade de vários países em assumirem a liderança diplomática nas questões ambientais, a começar pela China. 

Formalmente, Trump não anunciou ainda a retirada dos EUA dos Acordos de Paris, mas a eliminação do Clean Power Plan anula efetivamente a capacidade dos EUA em cumprir as metas com que se comprometeu.

Erik Solheim, diretor executivo do Programa Ambiental das Nações Unidas, declarou em reação à ordem de Trump que “esta não é a altura para qualquer que seja o país mudar de direção face à ameaça das alterações climáticas. 

Contudo, o processo legal de reversão do Clean Power Plan é tortuoso e poderá levar anos até que a EPA consiga realmente destruir as suas próprias leis neste momento em vigor. As ramificações e consequências de cada alteração são simplesmente demasiado vastas para que possam ser eliminadas de um dia para o outro. 

Vários Estados anunciaram já a intenção de desafiar a ordem executiva nos tribunais, em particular os estados da Califórnia e Nova Iorque, com o procurador geral de Nova Iorque, Eric T. Schneiderman, a declarar que desafiaria qualquer decisão de reversão de leis de proteção ambiental. 

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