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Trump deu ordem para atacar Irão mas recuou

De acordo com o New York Times, o presidente norte-americano deu ordem de ataque às suas forças armadas depois do abate de um drone pela Guarda Revolucionária do Irão. Recuou à última da hora. Fontes iranianas fizeram entretanto saber que Trump avisou Teerão da possibilidade do ataque e quis negociar.
Navio da Marinha dos EUA no Golfo de Omã em janeiro de 2019.
Navio da Marinha dos EUA no Golfo de Omã em janeiro de 2019. Foto de Naval Surface Warriors.

Depois de na quinta-feira um avião não tripulado norte-americano com o valor de 130 milhões de dólares ter sido abatido, a troca de acusações entre os governos dos EUA e do Irão subiu outra vez de tom. O Irão declarou que o ataque foi feito no interior do seu espaço aéreo e prometeu levar provas da infração americana às Nações Unidas. Trump jurou o contrário: que o abate tinha sido em águas internacionais e ao mesmo tempo desvalorizou o ataque, dizendo que tinha sido obra de alguém “estúpido” dentro do exército iraniano e avançando a hipótese de não ter sido um disparo intencional, deixou uma ameaça velada respondendo a uma pergunta de um jornalista que “descobrirão rapidamente” a resposta dos EUA.

Esta sexta-feira percebe-se que estas consequências poderiam incluir um ataque de retaliação que não chegou a realizar-se porque o presidente acabou por cancelar o ataque à última da hora.

De acordo com o que foi avançado pelo New York Times, os alvos seriam sobretudo radares e plataformas de lançamento de mísseis e o ataque deveria ter acontecido na madrugada desta sexta-feira. Um alto quadro da administração norte-americana revela que os aviões estavam já no ar e os barcos em posição de ataque quando chegou a ordem de cancelamento.

A mesma fonte não esclareceu se os ataques ao Irão ainda vão avançar ou porque o cancelamento de última hora aconteceu.

A Associated Press também cita uma fonte da Administração para confirmar que a ordem e o seu cancelamento existiram e acrescentar que os ataques teriam sido recomendados pelo Pentágono. A linha dura do regime, representada por Pompeo e Bolton, por exemplo, tem pressionado para uma política mais agressiva contra o Irão.

Irão diz que EUA queriam negociar na iminência do ataque e que recusaram

Pouco depois desta revelação ter sido feita e da mesma forma, através de declarações anónimas de quadros importantes do Estado aos órgãos de comunicação social, fontes iranianas fizeram saber à Reuter que os EUA avisaram, através de Omã, que um ataque estaria eminente e pediram negociações.

A suposta mensagem teria chegado através do próprio Donald Trump que terá dito que “era contra qualquer guerra com o Irão e queria falar com Teerão sobre vários assuntos”. O presidente norte-americano terá acrescentado que daria “um curto período de tempo” para haver uma resposta. Esta fonte acrescenta que a resposta terá sido imediata: “é o Líder Supremo Khamenei” que “deve decidir sobre este assunto”.

E um segundo dirigente iraniano, à mesma fonte e também de forma anónima, terá esclarecido que “deixámos claro que o líder é contra quaisquer conversações” e que “qualquer ataque contra o Irão terá consequências regionais e internacionais”.

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