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Trump ameaça expulsar milhões de imigrantes

O presidente norte-americano vai, esta terça-feira, entrar em campanha no seu partido com vista à sua reeleição. Na segunda-feira à noite escolheu o twitter para ameaçar de expulsão milhões de imigrantes que considera terem entrado ilegalmente no país.
Trump em visita à fronteira com o México em abril de 2019.
Trump em visita à fronteira com o México em abril de 2019. Foto US Costums an Border Protection/Flickrd

Segunda-feira à noite, Donald Trump twittou. Isto não seria notícia, nem sequer se se tratasse de algum insulto a um adversário ou de um comentário que se costumaria considerar inapropriado para um presidente de uma super-potência. Mas desta vez a mensagem do presidente norte-americano tem um conteúdo bem mais preocupante. Trump escreveu que começará, na próxima semana, “o processo de repatriar milhões de imigrantes ilegais que entraram ilicitamente nos Estados Unidos”. E acrescentou: “vão ser expulsos tão rápido como entram”.

À Associated Press, um quadro governamental confirmou sob anonimato que não se trata de um bluff. Donald Trump fala a sério. Pretende começar por avançar com uma operação destinada a expulsar as pessoas que já receberam ordens de deportação por parte de juízes federais mas que permanecem em liberdade. Mas o seu alvo são todos 12 milhões de imigrantes que se estima que estejam a viver sem papéis nos Estados Unidos.

Só que o anúncio prévio de uma operação desta envergadura é problemático, segundo o que assinalam outras fontes dos serviços de emigração também consultadas pela agência noticiosa norte-americana.

A ideia, para além dos ganhos eleitorais nos setores mais conservadores, é, dizem as fontes governamentais, passar a mensagem de que não se pode entrar ilegalmente nos Estados Unidos.

Donald Trump vem de uma vitória na sua política de fronteiras. Depois de ter ameaçado aumentar as tarifas aduaneiras dos produtos mexicanos, conseguiu que este país endurecesse o seu controlo na fronteira com os EUA, enviando as tropas da guarda nacional.

O alvo seguinte da pressão de Trump sobre este tema é a Guatemala. Trump também twittou que este país está “a preparar-se para assinar um acordo” em que este país que o tornaria num “terceiro país seguro” em que quem pede asilo político ficaria, longe das fronteiras dos EUA, até que os tribunais julguem os seus casos. Mike Pence, o vice-Presidente norte-americano, tinha a semana passada sugerido um acordo deste tipo. E o Departamento de Estado também o confirmou.

Contudo, um acordo deste tipo gera desconfiança nos grupos de defesa dos direitos humanos. O Human Rights First considera que é “simplesmente ridículo” presumir que a Guatemala seja capaz de proteger convenientemente refugiados quando os seus próprios cidadãos estão a fugir da violência neste país. É, aliás, o próprio Departamento de Estado, que confirma, no seu relatório sobre este país que há sérios problemas de “violações, femicídio, violência contra mulheres, tráfico de pessoas, violência contra pessoas LGBTI e recrutamento de crianças deslocadas para gangues”, diz a organização de defesa dos direitos humanos.

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