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Tripulantes da TAP iniciaram greve de dois dias com adesão total

Foi com adesão total que começou a paralisação dos tripulantes de cabine da TAP, uma greve por melhores condições de trabalho que continua na sexta e pode repetir-se mais vezes até ao fim de janeiro.
Foto https://haaijk.myportfolio.com/ - Flickr

Os tripulantes de cabine da TAP deram início esta quinta-feira a uma greve de dois dias. Para limitar os constrangimentos aos passageiros nos aeroportos nos dias da paralisação, a empresa optou por cancelar 360 dos 500 voos previstos com algumas semanas de antecedência, com os 50 mil clientes a terem a hipótese de reagendar os seus voos.

Para o presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), mais do que reivindicações salariais, "do que se trata aqui é do futuro de uma classe". Ricardo Penarroias disse à RTP que "a estabilidade operacional está a ser posta em causa pela empresa, como a estabilidade familiar dos tripulantes de cabine". Quanto aos cortes salariais inscritos no acordo de emergência assinado pela administração e sindicatos, diz que "já não se justificam quando a operação está a 110 ou 120 por cento do que estava em 2019". Além da questão salarial, os trabalhadores acusam a TAP de "desrespeito" pelo que está na lei sobre a licença de paternidade.

"A empresa tem tido uma postura muito pró-paz social, ao contrário do que a CEO tem dito em várias intervenções. Estranhamos muito esta maneira de dialogar. Quando chegamos a uma assembleia geral em véspera de uma greve em que a empresa não tem uma proposta para apresentar aos nossos associados, parece-nos que é totalmente contra a paz social", prosseguiu Penarroias, sublinhando a vontade em negociar por parte dos tripulantes.

No Porto, a sindicalista Ana Dias deu conta à RTP que "os únicos voos que estão a sair foram de serviços mínimos e os que são operados por tripulações da Portugália". E garante que "o impacto que nós queríamos não era junto dos passageiros, era fazer-nos ouvir junto da empresa. Este foi o último recurso que arranjámos, infelizmente, pois há largos meses que estamos a tentar dialogar com a empresa" para repor direitos e acabar com os cortes salariais "que já não fazem sentido neste momento".

A TAP informou que até às 11h30 tinham saído 78 dos 148 voos programados e que dos 64 voos de serviços mínimos previstos para hoje sairam 42. Dois destes voos, com destido à Guiné Bissau e Cabo Verde, acabaram cancelados não por falta de tripulantes nos serviços mínimos, mas por falta de passageiros.

Ante a falta de respostas concretas e construtivas às exigências dos tripulantes, na Assembleia Geral realizada esta terça-feira os associados do SNPVAC aprovaram a realização de no mínimo mais cinco dias de greve até 31 de janeiro, em datas a agendar pela direção do sindicato.

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