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Três famílias despejadas pela Câmara da Amadora na Quinta da Lage

Sem aviso prévio e sem apresentar soluções de habitação alternativas para os moradores, a Câmara Municipal da Amadora avançou para o despejo de três famílias com menores. A Associação de Moradores protestou e o Bloco de Esquerda considerou a situação “lamentável”.
Foto da Associalção de Moradores da Quinta da Lage/Facebook

A Câmara Municipal da Amadora confirma a ordem de demolição de seis habitações do bairro Quinta da Lage. Segundo a autarquia, houve um acordo prévio com os moradores que foram realojados com a sua ajuda e as casas estavam vazias.

Mas a realidade no terreno desmente esta versão. A Associação de Moradores da Quinta da Lage assegura que não houve aviso prévio para a demolição e que não foi encontrada qualquer solução habitacional para as famílias em questão. Segundo Andreia Cardoso, vice-presidente da Associação, adiantou à TSF em duas destas casas moravam menores e numa outra morava uma jovem grávida.

Estas demolições avançaram enquanto no Parlamento os deputados do grupo de trabalho da habitação discutiam a respetiva lei de bases que vai ter votações indiciárias ainda nesta terça-feira. Pedro Soares reagiu prontamente afirmando que a Câmara se quer desta forma antecipar a esta votação. O deputado bloquista afirmou que é “lamentável” que haja “uma força policial a ocupar o bairro, a promover despejos e demolições” e isto aconteça “dias depois de termos inaugurado a exposição e no dia em que o Presidente da República visita Cabo Verde e faz referências às comunidades que vivem em Portugal”.

Pedro Soares referia-se à exposição de desenhos das crianças do bairro, inaugurada na Assembleia da República na semana passada com o objetivo de assinalar o dia da criança. O mote era “eu amo o meu bairro”.

Presente durante a demolição, o deputado municipal do Bloco, Luís Costa, considerou que a ação de demolição surge da “fúria implacável” da Câmara Municipal da Amadora e que “não é esta a solução que a sociedade deve dar a estas pessoas”, sublinhando também que ficam sem resposta uma mulher grávida e uma outra que tem uma criança de meses.

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