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Três ambientalistas assassinados por semana em 2018

Um novo relatório da Global Witness, do Reino Unido, revela que, no ano passado, foram assassinados 164 ambientalistas em todo o mundo. A ONG assume, contudo, que “o número verdadeiro é, provavelmente, muito maior, porque os casos geralmente não são documentados e raramente são investigados”.
As empresas e os governos também estão a recorrer a cada vez mais táticas para perseguir os ambientalistas, como a criminalização, a violência não-letal, assédio e ameaças. Foto:Reprodução/Shutterstock.

Lutar pela justiça ambiental e pela proteção dos recursos naturais é uma tarefa muito perigosa. De acordo com a Global Witness, a par do número de assassinatos ser bastante preocupante, as empresas e os governos estão a recorrer a cada vez mais táticas para perseguir os ambientalistas, como a criminalização, a violência não-letal, assédio e ameaças. Também é comum os governos rotularem os ativistas de “terroristas”.

As mortes diminuíram ligeiramente no ano passado, “mas a violência e a criminalização generalizada de pessoas que defendem as suas terras e o nosso meio ambiente ainda são abundantes em todo o mundo", afirmou Alice Harrison, representante desta organização não governamental (ONG).

"Os nossos parceiros no Brasil e em muitos outros países registaram um aumento em outras formas de ataques não-letais contra os ativistas”, acrescentou.

A maior parte dos assassinatos teve lugar na Ásia ou na América Central e do Sul. Mais de metade das vítimas eram da América Latina e a maioria eram ativistas indígenas ou rurais defendendo as suas comunidades contra a mineração, o desenvolvimento de hidrocarbonetos e o agronegócio. O setor de mineração foi responsável por um quarto dos assassinatos.

As Filipinas substituíram o Brasil como o país mais assassino, com 30 vítimas. Segue-se a Colômbia com 24, a Índia com 23 e o Brasil com 20. Não é expectável que o declínio dos assassinatos no Brasil se mantenha, dado que Jair Bolsonaro tem atacado ferozmente os direitos territoriais indígenas e a proteção das reservas naturais.

A Guatemala registou um dos números mais altos per capita e o aumento mais acentuado, de cinco vezes, elevando o número total para 16 mortes em 2018. A Global Witness assinala que este fenómeno se deve a novos investimentos em plantações, mineração e projetos de energia. A Unidade sem fins lucrativos para a Proteção dos Defensores dos Direitos Humanos na Guatemala documentou ataques de facões e milícias armadas, que abriram fogo contra povos indígenas que estavam a lutar pelo direito à terra em áreas de mineração”.

"A crescente consciencialização sobre as questões ambientais deve agora ser traduzida em ações concretas para proteger o planeta e as pessoas que o defendem", vincou Harrison em declarações ao HuffPost.

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