Com o título “Abandonem os tratados, idiotas!”, o artigo de Jean-Luc Mélenchon, que pode ser acedido aqui, procura responder ao texto de Emmanuel Macron, publicado a 4 de março em vários órgãos europeus, defende que “a linguagem dos bens comuns a defender e a alargar” é “a única língua verdadeiramente internacional”, capaz de mobilizar povos com “História, línguas e culturas tão diferentes”, e propõe a “linguagem da Paz” face às “provocações guerreiras da NATO”.
O líder da France Insoumise alerta para a “catástrofe ecológica em curso”, a ameaça de “um sistema de produção e de comércio que destrói a Terra e os seres humanos”, e defende que os povos da Europa podem “iniciar uma nova era da civilização humana”. Exemplifica com as possibilidades de a Europa renunciar ao uso de pesticidas, “erradicar a pobreza”, “garantir um salário decente para todos”, limitar desigualdades, alargar os direitos das mulheres e “bloquear a ação dos ladrões de impostos”.
Mélenchon aponta para isso a necessidade de “renunciar à falsa dupla franco-alemã”, salientando que essa “falsa dupla” é controlada pela CDU alemã, humilha os restantes países da União Europeia e isola os franceses dos outros povos do sul.
“Se a democracia se encontra ameaçada, é sobretudo pela tirania do setor financeiro e pelos métodos grosseiros utilizados para dirigir os povos”, destaca o dirigente político francês, denunciando a repressão de Macron contra os ‘coletes amarelos’ e a violência policial em França, a política europeia contra os refugiados, a aprovação de Orbán ao discurso de Macron. “Para compensar esta brutalidade, é precisa uma política imediata contra as causas dos exílios forçados: guerras, alterações climáticas, pilhagem económica”, afirma.
“Todas estas misérias sociais têm uma origem comum: o conteúdo dos tratados europeus, que condensam todas as políticas económicas no dogma absurdo do liberalismo ortodoxo, caro ao Governo de Merkel”, realça Mélenchon, defendendo que “O renascimento de que a Europa precisa é o dos direitos políticos dos seus povos”.
“Se a França pode ser útil em alguma coisa, é nesta matéria, na condição de se apresentar como parceiro e não como quem quer dar lições”, destaca a concluir.