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Trabalhadores portuários lutam contra a precariedade

Há mais de dois meses que os estivadores estão em greve às horas extraordinárias contra a proposta de lei do Governo, que visa a liberalização e precarização do trabalho nos portos. Estivadores fazem manifestação internacional em Lisboa, contando com a solidariedade dos estivadores de outros países.
Estivadores na manifestação da CGTP de setembro de 2012 - Foto de Paulete Matos

Nesta quinta-feira, 29 de novembro, os estivadores vão manifestar-se em Lisboa contra a proposta de lei do trabalho portuário, que será debatida nesse dia na Assembleia da República. A manifestação conta com a solidariedade internacional, esperando-se a participação de centenas de estivadores de outros países europeus e que os trabalhadores de alguns portos da Europa parem duas horas em apoio à luta dos estivadores portugueses.

Há muitos meses que os trabalhadores portuários vêm lutando contra a proposta de lei do Governo, que instala a precariedade nos portos e ameaça com o desemprego centenas de estivadores.

Desde 17 de setembro que os estivadores dos portos de Lisboa, Setúbal, Aveiro e Figueira da Foz têm feito greve às horas extraordinárias. Apesar da greve ser apenas às horas extraordinárias, tem afetado significativamente o funcionamento dos portos.

O Sindicato dos Estivadores salienta em comunicado, que estão em luta contra a “destruição e precarização do emprego”. O sindicato refere também que, ao contrário que foi dito nalgumas declarações, não ganham 5.000 euros por mês, pelo contrário, um “estivador da categoria de topo, trabalhando por norma por volta de 58 horas de trabalho por semana, pode ganhar um salário bruto de 2.632,65 € mensais” e que “o estivador médio ganha bastante menos por essa carga pesada de trabalho”.

O sindicato sublinha ainda que “estão a fazer greve apenas ao trabalho suplementar depois de trabalharem um turno completo” e que “em vez de contratar mais trabalhadores para o muito trabalho que existe, as empresas de estiva sempre preferiram obrigar os estivadores a fazer trabalho suplementar”.

Na sua luta, os estivadores enfrentam um problema: a divisão da luta provocada pela assinatura de um acordo com o Governo e com os patrões do setor, pela UGT e pelo sindicato que associa a maioria dos trabalhadores do porto de Leixões. Num post na página dos estivadores no facebook, um trabalhador de Leixões afirma que os novos estivadores daquele porto “trabalham 70 horas por semana sem receber uma única hora extra sequer”, sendo “obrigados a trabalhar das 8h00 ate ás 24h00” sob pena de perderem o emprego “e tudo isto com um ordenado mensal de 700€”.

Defendendo a atual legislação e o seu contrato coletivo, os estivadores em luta afirmam: “Não somos uma classe privilegiada! Somos como todos os outros trabalhadores que estão a sofrer os ataques do Governo e dos empregadores aos nossos direitos conquistados ao longo do século XX.”

Links de páginas dos estivadores:

sindicatodosestivadores.com

estivadeportugal.blogspot.pt

estivadoresaveiro.blogspot.pt

Páginas no facebook:

Estivadores de Portugal

Estivadores de Aveiro

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